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Vereador do PL baleado durante transmissão ao vivo em Mossoró (RN)

Vereador Deyvison Talles sofre disparo durante live em frente a UPA; assessor morre no incidente que aponta violência contra agentes públicos.

Folha — Cotidiano3 min de leitura
Vereador do PL baleado durante transmissão ao vivo em Mossoró (RN)
Foto: Alessio Rinella / Unsplash

Na noite de 15 de junho de 2026, o vereador de Mossoró (RN) Deyvison Talles Martins do Nascimento, filiado ao Partido Liberal (PL) e popularmente conhecido como Cabo Deyvison, 37 anos, sofreu múltiplos disparos de arma de fogo enquanto realizava uma transmissão ao vivo em frente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. A transmissão foi interrompida e, conforme informações iniciais, um assessor que acompanhava o vereador faleceu em decorrência dos ferimentos.

Contexto

O incidente ocorreu em contexto de crescente preocupação com a segurança de agentes públicos no Brasil, particularmente em municípios onde persiste disputa política e criminal relacionada ao controle territorial. A prática de transmissões ao vivo em redes sociais por gestores e representantes eleitos tornou-se comum nos últimos anos como ferramenta de comunicação direta com eleitores, porém expõe os agentes públicos a vulnerabilidades de segurança física em espaços públicos. O Rio Grande do Norte apresenta histórico de conflitos envolvendo grupos criminosos organizados e rivalidades políticas que frequentemente resultam em episódios de violência.

O que foi decidido / registrado

Não se trata de decisão judicial, mas de fato criminal em apuração. O incidente resultou em ferimento grave do vereador e morte de seu assessor. As autoridades criminais competentes (Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Norte e Ministério Público Estadual) encontram-se investigando a autoria e as motivações do crime. Investigações preliminares apontam para disparo em via pública durante atividade exercida por agente público.

Base normativa e impacto penal

  • Art. 121, Código Penal — Homicídio; a morte do assessor configura em tese homicídio simples ou qualificado conforme circunstâncias e intenção do atirador.
  • Art. 129, Código Penal — Lesão corporal; os disparos contra o vereador configuram em tese lesão corporal grave ou gravíssima.
  • Lei 13.060/2014 — Lei que dispõe sobre segurança de agentes públicos; estabelece direitos e deveres de proteção para titulares de cargo eletivo municipal.
  • Lei Orgânica Municipal de Mossoró — Regulamenta direitos e responsabilidades do vereador e eventual compensação por danos morais e materiais sofridos.
  • Art. 5º, caput, CF/88 — Proteção do direito à vida e à incolumidade física como direito fundamental.

Impacto prático e processual

  • Investigação criminal: A Polícia Civil do Rio Grande do Norte instala inquérito policial para apuração de autoria e motivação. Depoimentos de testemunhas presentes à transmissão, análise de câmeras de segurança e perícia balística são atos processuais esperados.
  • Responsabilidade civil: O vereador e herdeiros do assessor podem requerer indenização por dano moral e material, tanto contra eventual autor do crime (ressarcimento de bens patrimoniais) quanto contra o município (responsabilidade objetiva por omissão de segurança em logradouro público).
  • Segurança de agentes públicos: Reforça demanda por proteção integrada, incluindo escolta policial, rotas seguras e restrição a atividades públicas em locais de risco potencial.
  • Repercussão política: O incidente mobiliza poder legislativo municipal (mesa diretora da câmara) e estadual para discussão de medidas preventivas.

O que observar

  • Identificação do atirador: Eventual prisão em flagrante, sem garantias iniciais, ou investigação que se estenda por meses. Conexão com grupos criminosos ou rival político alterará significativamente a tipificação (possível qualificadora de homicídio por motivo fútil ou relevante).
  • Recursos cabíveis: Após conclusão do inquérito, cabem denúncia do Ministério Público Estadual (Primeira Instância Criminal - Juizado ou Vara Criminal), possível agravo, apelação e eventual embargos infringentes.
  • Modulação de segurança: Câmara Municipal pode aprovar medidas paliativas (cota de escolta, restrição de horários para transmissões, reforço de vigilância em pontos críticos).
  • Eventual culpabilidade do município: Ação de reparação de danos contra a Prefeitura Municipal (omissão de segurança) pode prosseguir em Juizado Especial Cível ou Vara Cível, conforme quantum demandado.

O caso ilustra vulnerabilidade estrutural de representantes eleitos em contextos de violência urbana e a necessidade de harmonizar direito à informação pública (transmissão ao vivo) com direito à segurança pessoal.

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