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Morte em salto sem corda: governo avalia demolir ponte do Esqueleto em SP

Após morte de jovem em atividade de rope jump sem equipamento, governo federal estuda demolir estrutura na divisa de Limeira e Cordeirópolis.

Folha — Cotidiano4 min de leitura
Morte em salto sem corda: governo avalia demolir ponte do Esqueleto em SP
Foto: Kamil Foatov / Unsplash

O governo federal avalia a demolição da ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, interior de São Paulo, após a morte de uma jovem de 21 anos que foi lançada da estrutura sem qualquer dispositivo de segurança durante uma atividade de salto com corda. Os prefeitos das duas cidades reuniram-se, nesta segunda-feira, com representantes da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para discutir a viabilidade da remoção da ponte.

Contexto

A ponte do Esqueleto tornou-se palco de atividades de rope jump — modalidade de esporte radical que consiste em saltos de estruturas elevadas com uso de cordas elásticas de segurança — sem qualquer controle ou regulamentação aparente. O incidente revelou falhas graves nas estruturas de proteção, na fiscalização de atividades de risco e na responsabilidade dos operadores. A morte ocorreu no sábado (13 de junho de 2026), quando instrutores da atividade lançaram a vítima da ponte sem equipamento de proteção, configurando potencial negligência grave.

A mobilização de órgãos federais para discutir demolição reflete preocupação não apenas com a responsabilidade penal dos envolvidos, mas com a necessidade de eliminar um local de risco iminente para terceiros. A questão envolve domínio sobre bem de uso comum (ponte de patrimônio federal), responsabilidade administrativa dos municípios pela segurança pública e investigação criminal dos responsáveis pela morte.

O que foi decidido

O governo federal, por intermédio da AGU e SPU, estuda tecnicamente a demolição como medida preventiva. Não se trata de decisão final, mas de avaliação de viabilidade quanto aos aspectos de propriedade do imóvel, custo operacional, impacto local e legalidade da remoção. A SPU, como responsável pelo patrimônio da União, possui competência para deliberar sobre estruturas federais. Os prefeitos das duas cidades apoiaram publicamente a proposta, recomendação que reforça a urgência percebida na esfera local.

Base normativa e precedentes

  • Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940) — A morte provocada por negligência dos instrutores configura potencial homicídio culposo (art. 121, § 3º), com pena de um a quatro anos de prisão, além de suspensão ou proibição do exercício de profissão.
  • Lei de Segurança Pública — Municípios têm dever de fiscalizar atividades de risco em seu território e zelar pela segurança de pessoas em espaços públicos.
  • Lei de Responsabilidade Civil (Código Civil, arts. 927 e 937) — Responsabilidade objetiva por dano causado por atividade perigosa e risco criado, incidindo sobre operadores e, potencialmente, sobre os municípios se houve omissão na fiscalização.
  • Constituição Federal/88, art. 37 — Responsabilidade civil da Administração Pública por omissão (dever de fiscalizar estruturas e atividades em seu domínio).
  • Portaria SPU — Regula a destinação e segurança de bens do patrimônio da União, incluindo pontes e estruturas similares.

Impacto prático

Para investigação criminal: A morte abre inquérito policial para apuração de homicídio culposo contra os instrutores. Será necessário perícia técnica que confirme a ausência de equipamento de segurança e negligência grave na conduta. Responsabilidade penal pode alcançar gerentes, proprietários de empresa de rope jump e instrutores diretos.

Para as municipalidades: Limeira e Cordeirópolis podem sofrer processos civis por danos morais da vítima e família, além de ação de improbidade administrativa caso ficue comprovada omissão na fiscalização de atividade de risco notória.

Para operadores de atividades de risco: A situação aciona reflexo preventivo: empresas de esportes radicais em todo o país enfrentarão maior vigilância de órgãos de segurança, multas administrativas e investigações de procedimentos de segurança.

Para a família: Direito a indenização por danos morais e materiais contra os responsáveis (operadores, empresa, instrutores) com base em responsabilidade civil extracontratual. O valor será discutido em ação cível ou no âmbito de negociação com seguros.

O que observar

A demolição da ponte não encerra a responsabilidade criminal. Mesmo que removida, investigação sobre a morte prosseguirá. É possível que instrutores enfrentem prisão preventiva ou temporária se elementos de fuga ou perigo forem evidenciados. As defesas dos acusados possivelmente argumentarão que a vítima consentiu à atividade, mas consentimento não afasta negligência grave ou violação de normas de segurança ocupacional — defesa frágil diante de omissão de equipamento básico.

Regulamentação de esportes radicais em pontes públicas pode ser endurecida em legislação municipal ou estadual nos próximos meses, com exigência de licenças, treinamento certificado e obrigatoriedade de seguro de responsabilidade civil. A AGU pode também investigar se havia alvará ou autorização prévia para a atividade na ponte federal, reforçando eventual responsabilidade administrativa.

A família da vítima pode promover ação civil contra o Estado (municípios e União) por omissão de dever de fiscalização, além de ação criminal subsidiária após sentença penal condenatória.

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