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TJRJ condena Light por explosão em bueiro e fixa indenizações

A 31ª Vara Cível do Rio responsabilizou a Light por explosão em bueiro; decisão reconheceu danos físicos, estéticos e morais, fixando valores e lucros cessantes.

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TJRJ condena Light por explosão em bueiro e fixa indenizações
Foto: Ambrose Prince / Unsplash

Lead de resposta direta A 31ª Vara Cível da Capital do Rio de Janeiro condenou a concessionária de energia Light a indenizar um casal vítima de uma explosão em bueiro, reconhecendo danos físicos, estéticos, psicológicos e lucros cessantes; a sentença quantificou valores para danos morais, estéticos e materiais, com efeitos imediatos de responsabilização patrimonial da empresa.

Contexto

Acidentes envolvendo infraestruturas elétricas subterrâneas suscitam debate sobre a responsabilidade das concessionárias por defeitos ou falhas na rede que exponham terceiros a risco. A controvérsia costuma girar em torno da aplicação da responsabilidade objetiva prevista no regime jurídico dos serviços públicos, da prova do nexo causal e da extensão dos danos indenizáveis (dano material, moral, estético e lucros cessantes). No plano normativo, a matéria articula-se com as regras gerais de responsabilidade civil do Código Civil (notadamente os arts. 186 e 927) e com a jurisprudência que, em muitos casos, admite a responsabilização da concessionária independentemente de culpa quando se trata de risco da atividade e do dever de segurança.

Em termos práticos, decisões sobre eventos dessa natureza influenciam o manejo probatório em ações contra empresas de energia (necessidade de laudos periciais técnicos e médicos, prova do afastamento laboral, documentação de gastos e perícia psicológica) e orientam as estratégias de defesa e pleito indenizatório em juízo.

O que foi decidido

A sentença da 31ª Vara Cível concluiu pela responsabilidade da Light pelo acidente ocorrido em bueiro no Centro do Rio, aceitando as perícias e provas apresentadas que demonstraram: (i) a ocorrência da explosão advinda da rede subterrânea de energia; (ii) o nexo causal entre o evento e as lesões sofridas pelo casal; e (iii) a extensão dos danos, físicos e psíquicos.

No plano da reparação, o juízo fixou indenização por danos morais em R$ 120.000,00 para cada integrante do casal; condenou por danos estéticos em R$ 30.000,00 para o homem (que teve 30% do corpo queimado, passou 56 dias internado e realizou cerca de 15 cirurgias) e R$ 20.000,00 para a mulher (com 10% do corpo queimado); além de condenar ao pagamento de R$ 75.178,34 a título de lucros cessantes em favor do autor, em razão do período de incapacidade para o trabalho.

Os fundamentos centrais do julgado apoiaram-se na prova pericial que constatou não apenas lesões corporais graves e cicatrizes permanentes, mas também transtornos psíquicos diagnosticados no autor (estresse pós-traumático, depressão e transtorno de ansiedade) e a necessidade de acompanhamento psicológico e fisioterápico para ambos.

Base normativa e precedentes

  • Art. 186, Código Civil (Lei 10.406/2002) — ato ilícito e obrigação de reparar por quem, por ação ou omissão, causar dano a outrem.
  • Art. 927, Código Civil (Lei 10.406/2002) — obrigação de reparar o dano quando houver responsabilidade, inclusive nas hipóteses de responsabilidade objetiva previstas em lei.
  • Art. 373, CPC (Lei 13.105/2015) — distribuição do ônus da prova, que orienta a valoração das perícias e documentos apresentados pelas partes.
  • Relevância da perícia técnica e médica — a prova pericial (técnica e psicológica) foi determinante para estabelecer o nexo causal e a extensão dos prejuízos.
  • Jurisprudência consolidada do tribunal e dos tribunais superiores sobre a responsabilidade de concessionárias de serviços públicos por acidentes decorrentes da operação e manutenção da rede subterrânea, que tende a admitir responsabilização quando demonstrado o vínculo entre o serviço e o evento danoso.

Impacto prático

  • Para advogados e partes: a decisão reafirma a importância de produzir prova pericial robusta (médica, psicológica e técnica sobre a rede elétrica) para demonstrar nexo causal e graduação dos danos; também orienta na quantificação dos pleitos de danos morais, estéticos e lucros cessantes.
  • Para empresas concessionárias: reforça o risco de responsabilização patrimonial por acidentes na rede subterrânea e a necessidade de manutenção, inspeção e protocolos de segurança documentados para mitigar riscos litigiosos.
  • Para segurados e vítimas: confirma possibilidade de reparação abrangente — incluindo dano moral ligado a trauma psicológico severo e dano estético por cicatrizes permanentes — quando a relação causal e a gravidade forem comprovadas.
  • Em ações em curso: sentenças assim podem ser invocadas como elemento persuasivo em casos análogos perante o mesmo juízo ou instâncias locais, ainda que a modulação de valores dependa das circunstâncias particulares.

O que observar

  • Prova técnica: a decisão evidencia que a força probatória das perícias (técnica sobre a explosão e médica/psicológica sobre sequelas) pode sobrepujar discussões meramente formais sobre culpa; por isso, coleta e preservação de provas no local do evento e prontuários hospitalares são estratégicos.
  • Eventuais recursos: a concessionária poderá interpor apelação questionando a valoração dos danos, eventual ausência de culpa específica ou a extensão dos lucros cessantes; a fundamentação deverá enfrentar diretamente os laudos periciais e a motivação do juízo quanto ao nexo causal.
  • Modulação de responsabilidade objetiva: embora a sentença não esteja vinculada a posicionamento uniforme de instâncias superiores, a matéria permanece sujeita a interpretação sobre aplicação objetiva em serviços públicos, o que pode ser objeto de recursos e uniformização de jurisprudência.
  • Riscos processuais: advogados das vítimas devem antecipar defesa a alegações da concessionária sobre causa exclusiva de terceiro ou caso fortuito, reforçando laudos e documentos que demonstrem falha na rede ou omissão de manutenção.

Em síntese, a decisão do juízo da 31ª Vara Cível do Rio reforça a tendência de responsabilização das concessionárias quando comprovado o nexo entre falha na infraestrutura e danos graves a terceiros, com reconhecimento amplo das categorias de reparação (moral, estético e patrimonial) quando suportadas por prova técnica e médica robusta.

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