OAB/RJ e Câmara de Arbitragem firmam cooperação em direito marítimo
OAB/RJ celebra parceria com Câmara de Arbitragem Marítima para difundir métodos de resolução de disputas e lançar curso especializado.
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Rio de Janeiro, e a Câmara de Arbitragem de Direito Marítimo, Portuário e Comércio Exterior selaram parceria institucional mediante termo de cooperação técnica assinado em 23 de junho, buscando fortalecer os mecanismos de solução de controvérsias no segmento marítimo fluminense e ampliar a formação de profissionais especializados nessa área.
Contexto
A arbitragem consolidou-se nas últimas décadas como instrumento privilegiado de resolução de disputas em matéria de direito empresarial, particularmente em operações internacionais e contratos complexos. Diferentemente da litigância convencional, a arbitragem oferece aos contratantes a possibilidade de submeter seus conflitos a especialistas dotados de conhecimento técnico aprofundado na matéria controvertida, garantindo maior celeridade e previsibilidade nas relações comerciais.
O direito marítimo, portuário e de comércio exterior constitui segmento estratégico para a economia do Rio de Janeiro, que concentra infraestrutura portuária relevante e atrai operações de grande complexidade jurídica. Neste contexto, a formação de profissionais capacitados em arbitragem marítima emerge como demanda prática e econômica para a advocacia fluminense. A criação de centros de expertise em resolução de disputas também alinha-se aos esforços de consolidação do Rio de Janeiro como polo de arbitragem internacional no território brasileiro.
O que foi decidido
Ambas as instituições comprometeram-se em atuar conjuntamente em frentes complementares: divulgação das atividades e do escopo de atuação da Câmara de Arbitragem junto à comunidade jurídica; realização de eventos, seminários e workshops educativos; promoção ativa de métodos alternativos de resolução de disputas (arbitragem, mediação e dispute boards) aplicáveis ao setor marítimo; troca sistemática de informações e boas práticas entre as entidades; e colaboração em temas de interesse comum.
Como desdobramento direto da cooperação, a OAB/RJ e a Câmara lançarão em breve um curso de arbitragem especializado em direito marítimo, ofertado pela Seção fluminense com participação técnica e instrutória da Câmara. A iniciativa visa capacitar advogados a atuar em controvérsias ligadas ao setor marítimo com maior densidade de conhecimento substantivo e processual.
Base normativa e precedentes
- Lei de Arbitragem (Lei 9.307/1996) — regulamenta a arbitragem no Brasil como meio válido e vinculante de resolução de controvérsias, permitindo que partes celebrem compromissos arbitrais e confiram poderes decisórios a árbitros;
- Lei de Mediação (Lei 13.140/2015) — instituiu a mediação como política pública de acesso à justiça e prevê sua aplicação em conflitos de natureza patrimonial e extrapatrimonial;
- Resolução CNJ nº 125/2010 — estabelece a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses, reconhecendo a importância dos mecanismos alternativos e complementares de solução de disputas (ADR);
- Estatuto da OAB (Lei 8.906/1994) — prevê competências da Ordem em relação à capacitação profissional, defesa do Estado Democrático de Direito e valorização da profissão jurídica.
A jurisprudência brasileira, consolidada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, reconhece a validade e executividade das decisões arbitrais, conferindo-lhes status equiparável aos julgados judiciais quando presentes os requisitos legais.
Impacto prático
Para a comunidade de advogados fluminenses:
- Oportunidade de desenvolvimento de competências técnicas em arbitragem marítima, reduzindo lacuna de expertise no segmento;
- Ampliação do portfólio de serviços oferecidos aos clientes do setor portuário e de comércio exterior;
- Posicionamento estratégico em operações internacionais que envolvem partes brasileiras e estrangeiras com interesse em arbitragem.
Para o setor marítimo e portuário:
- Maior disponibilidade de profissionais capacitados a assessorar operadores em questões arbitrais;
- Reforço da reputação do Rio de Janeiro como jurisdição amigável à arbitragem internacional;
- Redução de custos e tempo em resolução de controvérsias mediante substituição da litigância tradicional por mecanismos mais eficientes.
Para a OAB/RJ:
- Consolidação de seu papel como ator relevante na promoção de inovações na prática jurídica;
- Fortalecimento de relacionamento institucional com entidades de mercado especializadas.
O que observar
O sucesso da iniciativa dependerá da efetiva implementação do curso e da adesão de advogados ao programa. Recomenda-se que o conteúdo curricular abranja tanto aspectos substantivos do direito marítimo quanto procedimentais da arbitragem, incluindo redação de cláusulas arbitrais, direito do comércio marítimo internacional e execução de sentenças arbitrais.
Advogados que pretendam atuar neste segmento devem acompanhar o cronograma de lançamento do curso e avaliar se a capacitação oferecida alinha-se com seus objetivos de especialização. Paralelo a isso, a consulta às normas da Lei de Arbitragem e às resoluções de órgãos como a Câmara (em relação a regras procedimentais específicas) constitui passo preliminar essencial para quem deseja atuar em controvérsias marítimas.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar essa matéria.
Relacionadas em OAB / Concursos
Ver tudoTSE abre inscrições para capacitação de candidatas nas Eleições 2026
Tribunal Superior Eleitoral oferece curso híbrido com 480 vagas virtuais e até 100 presenciais para fortalecer representação feminina na política.
STJ permite voto sem sustentação oral; OAB questiona retrocesso
Emenda Regimental 51/2026 dispensa presença de ministro na sustentação oral do STJ. OAB considera medida prejudicial ao contraditório e à defesa técnica.
Votação eletrônica: definição e história no sistema eleitoral brasileiro
O TSE explica votação eletrônica e sua evolução desde 1996, quando apenas 30% dos eleitores usavam urnas eletrônicas.