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Pesquisa CNT/MDA: Lula amplia vantagem, Flávio recua e terceira via não decola

Levantamento de junho mostra Lula com 41,8% e 13,6 pontos de diferença sobre Flávio; no segundo turno, distância salta para 12,5 pontos

JOTA5 min de leitura
Pesquisa CNT/MDA: Lula amplia vantagem, Flávio recua e terceira via não decola
Foto: Thomas Bormans / Unsplash

A rodada de junho da pesquisa CNT/MDA divulgada no mês de junho reforça a tendência de consolidação da posição de Luiz Inácio Lula da Silva como favorito na disputa presidencial de 2026, acompanhada pela recuperação de seus indicadores de aprovação e avaliação governamental. O levantamento, realizado entre 11 e 15 de junho junto a 2.002 eleitores em entrevistas presenciais, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais (nível de confiança de 95%), foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04256/2026.

Contexto

A série histórica da CNT/MDA acompanha o comportamento do eleitorado desde antes das eleições de 2022, funciona como parâmetro consolidado para entendimento da opinião pública em momentos críticos do ciclo político. O contexto de junho de 2026 apresenta particularidade relevante: marca o primeiro momento, desde o encerramento de 2024, em que o governo recupera saldo positivo de aprovação presidencial após período prolongado de rejeição superior ao apoio. Isso reveste a rodada de significado especial para entender tanto a dinâmica da aprovação governamental quanto a trajetória da competição eleitoral.

A pesquisa também ocorre após episódio que impactou a campanha pré-eleitoral de Flávio Bolsonaro, descrito como "crise de imagem" nos antecedentes metodológicos do levantamento, sugerindo que fatores externos à avaliação pura do desempenho governamental interferem nas intenções de voto.

O que foi decidido

Os números da pesquisa traduzem-se em três movimentos principais:

Primeiro, a avaliação do governo federal registrou inversão favorável. A aprovação positiva avançou de 32,2% (abril) para 35,3% (junho), enquanto a rejeição recuou de 37,2% para 34,4%. É a primeira vez desde o final de 2024 que o índice de avaliação positiva supera o de rejeição.

Segundo, a aprovação pessoal do presidente acompanhou o movimento governamental. A aprovação de Lula passou de 44,9% para 48,8%, enquanto a desaprovação caiu de 49,6% para 46,2%. Novamente, trata-se da primeira inversão de saldo (favorável ao presidente) desde o fim de 2024.

Terceiro, no cenário de primeiro turno, Lula aparece com 41,8% das intenções de voto contra 28,2% de Flávio Bolsonaro — diferença de 13,6 pontos percentuais, a maior já registrada pela série. Em relação à rodada anterior (abril), Lula avançou 2,8 pontos enquanto Flávio recuou 1,8 pontos. Os demais candidatos testados (Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Joaquim Barbosa, Renan Santos, Michel Temer e Augusto Cury) permanecem abaixo de 5%, com 7% de brancos/nulos e 7,9% de indecisos.

No segundo turno direto entre Lula e Flávio, o presidente alcança 49,3% contra 36,8% do postulante de oposição — diferença de 12,5 pontos, quase o triplo do observado em abril. Nesse cenário, apenas 2,7% declaram-se indecisos e 11,2% afirmam votar em branco ou nulo.

Base normativa e precedentes

As pesquisas eleitorais no Brasil estão submetidas à regulação do Código Eleitoral e Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os estudos de intenção de voto devem ser registrados perante o TSE, que mantém banco público de dados com metodologias, prazos, margem de erro e resultados. A transparência e rastreabilidade visam coibir manipulação de dados e garantir credibilidade do instrumento como termômetro da opinião pública. A pesquisa CNT/MDA cumpre esses requisitos ao estar registrada sob o número BR-04256/2026.

No contexto eleitoral, a aprovação presidencial é indicador consagrado na literatura de ciência política como preditor de viabilidade de reeleição. Candidatos incumbentes com aprovação negativa enfrentam barreira material significativa à reeleição. A recuperação de Lula para saldo positivo (48,8% de aprovação contra 46,2% de desaprovação) representa, portanto, mudança estrutural nas condições materiais para a reeleição.

Impacto prático

Os achados da pesquisa produzem efeitos em múltiplas esferas:

  • Para estrategistas políticos e campanhas: os números sugerem cenário consolidado em favor do presidente, o que tende a afetar decisões sobre investimento de recursos, amplitude de campanhas de oposição e cálculos sobre viabilidade de candidaturas alternativas.

  • Para a terceira via e candidatos de alternância: a persistência de apoio a esses nomes abaixo de 5%, ainda que 65% dos eleitores afirmem desejar alternativa à polarização, revela o paradoxo conhecido em campanhas contemporâneas: demanda potencial por renovação não se traduz em voto consolidado. Isso pressiona candidatos de alternância a demonstrarem crescimento ou a abandonarem disputas.

  • Para o mercado e investidores: a recuperação de indicadores governamentais de aprovação historicamente reduz prêmio de risco associado a governo em transição ou instabilidade política. Decisões de investimento, taxas de câmbio e perspectivas de continuidade de políticas econômicas são sensíveis a esse tipo de sinal.

  • Para a campanha de Flávio Bolsonaro: o recuo simultâneo em relação a Lula, combinado com descrição de "crise de imagem" anterior, sinaliza vulnerabilidade da candidatura neste momento do ciclo. A diferença de 13,6 pontos em primeiro turno e 12,5 em segundo turno estabelece patamar de recuperação necessária para viabilidade de vitória.

O que observar

Alguns pontos permanecem em aberto e demandam monitoramento:

  • Volatilidade eleitoral: embora a série CNT/MDA acompanhe comportamento do eleitorado há anos, campanhas eleitorais produzem movimentos de voto significativos. A vantagem atual de Lula, mesmo expressiva, não é blindada. Eventos políticos e econômicos não previstos podem alterar trajetórias.

  • Comportamento da terceira via: o desejo por alternativa permanece em 65% dos eleitores. Se algum candidato de alternância conseguir converter esse potencial em campanha com visibilidade real, poderia fragmentar voto em primeiro turno, alterando dinâmicas de segundo turno.

  • Dinâmica de segundo turno: a diferença de 12,5 pontos no segundo turno é expressiva, mas ainda distante de níveis que garantem invulnerabilidade. Campanhas polarizadas em segundo turno historicamente produzem movimentação de voto consolidado. O piso de 36,8% para Flávio não é inexpugnável.

  • Fatores externos: economia, câmbio, inflação, eventos internacionais e escândalos políticos podem interferir na trajetória de aprovação. A pesquisa é fotografia estática; a realidade é dinâmica.

  • Próximas rodadas: a série CNT/MDA continuará acompanhando a dinâmica eleitoral. Próximas pesquisas (esperadas em agosto ou setembro) serão importantes para validar se a recuperação de Lula é consolidada ou se representa apenas oscilação cíclica.

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