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TJSP sedia Conasup-GMF e debate diretrizes do Plano Pena Justa

Reunião nacional dos supervisores dos Grupos de Monitoramento e Fiscalização discute boas práticas, inclusão produtiva e desafios legislativos do sistema prisional.

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TJSP sedia Conasup-GMF e debate diretrizes do Plano Pena Justa
Foto: Zihao Wang / Unsplash

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acolheu reunião nacional do Colégio Nacional de Supervisores dos Grupos de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (Conasup-GMF), momento que teve por foco o intercâmbio de experiências sobre execução penal, políticas de reinserção e a operacionalização de metas do Plano Pena Justa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A iniciativa reuniu magistrados e gestores de diferentes tribunais para debater medidas concretas de monitoramento, práticas de inclusão produtiva e a formulação de diretrizes técnicas diante de mudanças legislativas em tramitação.

Contexto

O encontro ocorre num ambiente em que a agenda da execução penal ganhou maior centralidade entre tribunais e órgãos de controle. Desde a promulgação da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984), a fiscalização das condições de cumprimento de pena e a busca por alternativas que reduzam a superlotação e promovam a reinserção social são desafios permanentes. Nos últimos anos, o CNJ articulou programas e metas nacionais — entre eles o denominado Plano Pena Justa — para coordenar iniciativas destinadas a reduzir a população prisional indevida, ampliar o uso de medidas alternativas e melhorar a gestão carcerária.

Os Grupos de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMFs) surgiram como instrumentos locais e estaduais de acompanhamento das unidades prisionais, atuando de forma articulada com varas de execução penal, corregedorias e órgãos estaduais. A reunião do Conasup é relevante porque busca uniformizar práticas, disseminar programas-piloto bem-sucedidos e construir diretrizes técnicas que orientem magistrados e gestores em todo o país. Além disso, o evento ocorreu em um momento em que alterações legislativas — como propostas que afetam a maioridade penal — reabrem debates sobre critérios de custódia, medidas socioeducativas e impacto sobre o sistema de cumprimento de pena.

O que foi decidido

A reunião teve caráter técnico e deliberativo no sentido de promover integração entre tribunais, trocar experiências exitosas e consolidar iniciativas de inclusão produtiva. Foram enfatizados três eixos práticos: (i) difusão de programas de trabalho e qualificação profissional para pessoas privadas de liberdade, com destaque à iniciativa Emprega Lab vinculada ao Plano Pena Justa; (ii) adoção e padronização de ferramentas de monitoração, como tornozeleiras eletrônicas e procedimentos de identificação biométrica; e (iii) construção conjunta, a ser liderada pelos GMFs, de diretrizes técnicas para orientar magistrados estaduais quanto à aplicação das melhores práticas de execução penal.

Não houve, no teor público do encontro, afronta a prerrogativas legais nem a edição de normas vinculantes. O consenso fechado pelos participantes privilegia atuar em rede — compartilhar protocolos de audiências de custódia, promover programas de reintegração laboral e acompanhar alterações legislativas relevantes. A turma de supervisores reafirmou a necessidade de atuação coordenada perante o CNJ para que metas nacionais se convertam em iniciativas replicáveis localmente.

Base normativa e precedentes

  • Art. 5º, CF/88 — assegura direitos e garantias fundamentais aplicáveis às pessoas privadas de liberdade.
  • Art. 7º e art. 93, CF/88 — (indicações sobre tutela jurisdicional e princípio da legalidade/impessoalidade na administração da justiça) — referências constitucionais à atuação estatal e administrativa do Poder Judiciário.
  • Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984) — regula o regime, direitos e deveres na execução da pena e medidas de segurança.
  • Normas e resoluções do CNJ (Plano Pena Justa e atos correlatos) — estabelecem metas e diretrizes nacionais para a fiscalização, monitoramento eletrônico e políticas de reinserção social.
  • Jurisprudência consolidada dos tribunais superiores — orientações sobre vedação a tratamento degradante, garantias processuais em audiências de custódia e requisitos para monitoramento eletrônico (a referência é à orientação jurisprudencial consolidada, sem indicação de decisão específica neste evento).

Impacto prático

  • Para magistrados: há impulso para a adoção de protocolos técnicos uniformes em audiências de custódia, identificação biométrica e uso de monitoração eletrônica, o que exigirá adaptação de rotinas e capacitação.
  • Para gestores prisionais e secretarias de Administração Penitenciária: reforça-se a necessidade de pactuação interinstitucional para implantação de programas de trabalho e profissionalização, bem como investimentos em infraestrutura tecnológica e biométrica.
  • Para pessoas privadas de liberdade e egressos: potencial ampliação de oportunidades de inclusão produtiva, mediante programas que visam integrar egressos ao mercado formal, reduzindo riscos de reincidência.
  • Para advogados e defensores públicos: expectativa de maior disponibilidade de informações e padronização de procedimentos que podem facilitar a atuação defensiva em audiências de custódia e execução penal.
  • Para ações em curso: decisões administrativas e protocolos compartilhados pelos GMFs podem orientar medidas liminares e decisões interlocutórias relativas à execução, influenciando pedidos de progressão de regime, substituição por medidas alternativas e tramitações de execução.

O que observar

  • Padrões técnicos versus força normativa: protocolos acordados em colegiado técnico não têm, por si só, força de lei. A efetividade depende da incorporação por juízes e pela administração penitenciária e, quando necessário, de regulamentação ou normativos do CNJ.
  • Fiscalização e responsabilidade institucional: ampliar o monitoramento pode expor fragilidades infraestruturais, elevando a probabilidade de reclamações e demandas por providências administrativas e judiciais, inclusive no âmbito de execução de sentenças e ações civis públicas.
  • Mudanças legislativas: propostas que alterem a maioridade penal ou outras regras penais/penitenciárias terão impacto direto sobre a formulação das diretrizes técnicas. Os GMFs devem preparar notas técnicas e pareceres para orientar magistrados sobre a aplicação imediata de alterações normativas.
  • Recursos e replicabilidade: programas apontados como boas práticas dependem de financiamento, parcerias e articulação com iniciativa privada e terceiro setor; sua replicação em estados com menos estrutura exigirá modelos adaptáveis e avaliação de resultados.
  • Próximos passos institucionais: aguardar produção formal de diretrizes ou recomendações técnicas pelo Conasup e pelo CNJ, eventual publicação de manuais operacionais e supervisão contínua para aferir cumprimento das metas do Plano Pena Justa.

A reunião no TJSP confirma a tendência de profissionalização e de tratamento técnico da execução penal no país, colocando o intercâmbio entre tribunais como elemento-chave para traduzir metas nacionais em práticas locais. Para operadores do direito, o momento exige atenção a protocolos emergentes, ao impacto das mudanças legislativas e à necessidade de atuação integrada entre magistratura, administração penitenciária e atores da sociedade civil para efetivar políticas de reinserção e garantir cumprimento digno das penas.

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