AGU divulga agenda do Procurador Nacional de Assuntos Internacionais
Agenda pública de Boni de Moraes Soares para 26/06/2026 registra despachos internos e reforça política de transparência ativa da AGU.

A Advocacia-Geral da União (AGU) divulgou, em seu portal de transparência ativa, a agenda do Procurador Nacional da União de Assuntos Internacionais, Boni de Moraes Soares, para o dia 26 de junho de 2026 (sexta-feira). O compromisso único registrado no período é de "Despachos Internos", entre 14h e 18h, em cumprimento ao dever institucional de publicidade da atuação das autoridades federais.
Contexto
A divulgação de agendas oficiais de autoridades públicas integra o modelo de transparência ativa adotado pela Administração Pública federal a partir da edição da Lei 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação — LAI). A norma instituiu a publicidade como regra e o sigilo como exceção, abrangendo todos os órgãos dos três Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
A Procuradoria Nacional da União de Assuntos Internacionais é uma das unidades especializadas da Procuradoria-Geral da União (PGU), órgão da AGU responsável pela representação judicial e extrajudicial da União. Cabe à unidade atuar em contenciosos internacionais envolvendo o Estado brasileiro, em arbitragens transnacionais, em litígios perante tribunais estrangeiros e na articulação com organismos multilaterais, sempre que houver interesse jurídico da União em jogo.
O cargo de Procurador Nacional da União, criado no âmbito da reorganização interna da AGU, exerce funções de coordenação técnica em temas estratégicos. A figura do procurador nacional dialoga com a divisão funcional da Procuradoria-Geral em áreas temáticas, modelo que busca conferir maior especialização à defesa judicial do ente federado.
O que foi decidido
Não se trata, no caso, de decisão judicial ou administrativa de mérito, mas sim de ato de publicidade obrigatória. A AGU registrou que o titular da Procuradoria Nacional de Assuntos Internacionais terá sua tarde de 26 de junho de 2026 dedicada integralmente a despachos internos — categoria genérica que, segundo a praxe administrativa, compreende reuniões com a equipe técnica, análise de processos, assinatura de manifestações jurídicas e tratativas internas de gestão.
A informação foi publicada em 1º de junho de 2026 e atualizada na mesma data, em consonância com a obrigação de divulgação prévia da agenda.
Base normativa e precedentes
- Art. 5º, XXXIII, da CF/88 — assegura a todos o direito de receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de interesse coletivo, ressalvadas as hipóteses de sigilo.
- Art. 37, caput, da CF/88 — consagra o princípio da publicidade como vetor da Administração Pública, ao lado da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência.
- Lei 12.527/2011 (LAI) — disciplina o acesso a informações públicas, estabelecendo a transparência ativa (art. 8º) como dever de divulgação espontânea de dados de interesse coletivo, independentemente de requerimento.
- Decreto 7.724/2012 — regulamenta a LAI no âmbito do Poder Executivo federal e detalha o rol mínimo de informações que devem constar dos sítios oficiais.
- Lei Complementar 73/1993 — institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União e organiza as carreiras de representação judicial da União.
A jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal reconhece a publicidade como regra estruturante do regime republicano, admitindo restrições apenas quando justificadas pela proteção da intimidade, da segurança da sociedade e do Estado ou por hipóteses legais específicas de sigilo.
Impacto prático
A divulgação rotineira da agenda de autoridades produz efeitos concretos no controle social e na atuação profissional:
- Para advogados e escritórios — permite o acompanhamento de reuniões institucionais, identificando possíveis interlocuções com partes interessadas em litígios estratégicos da União.
- Para a imprensa e a sociedade civil — viabiliza o controle externo da agenda das autoridades, instrumento clássico de fiscalização de eventual tráfico de influência ou conflito de interesses.
- Para órgãos de controle — fornece elementos objetivos a CGU, TCU e Ministério Público Federal para auditorias e investigações eventuais.
- Para a própria AGU — reforça a institucionalidade da carreira e a previsibilidade do trabalho técnico realizado em causas de repercussão internacional.
A categoria "despachos internos", embora genérica, é admitida pela prática administrativa quando não há reuniões externas com agentes privados, situação em que a LAI exige maior detalhamento (identificação dos participantes e do objeto).
O que observar
Nos próximos meses, a tendência é que a AGU mantenha o padrão de divulgação, considerando o aumento da litigiosidade internacional envolvendo a União — de arbitragens de investimento a contenciosos comerciais e ambientais. O acompanhamento das agendas dos procuradores nacionais tende a se tornar fonte relevante para mapear prioridades institucionais.
Profissionais que atuam em direito internacional público e em arbitragens com participação estatal devem incorporar a consulta periódica ao portal da AGU como rotina de inteligência jurídica. Eventual descumprimento dos padrões da LAI pode ensejar pedidos formais de acesso (art. 10 da Lei 12.527/2011) e, em última análise, mandado de segurança para tutela do direito de acesso à informação.
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