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Juíza afasta advogado após defesa concordar com acusação em tráfico de drogas

Magistrada de SC considera réu indefeso e remove defensor que concordou com MP em alegações finais de caso de tráfico.

Folha — Cotidiano3 min de leitura
Juíza afasta advogado após defesa concordar com acusação em tráfico de drogas
Foto: Sasun Bughdaryan / Unsplash

Uma magistrada de Santa Catarina considerou um acusado indefeso e determinou o afastamento de seu advogado constituído após o profissional concordar publicamente com as acusações do Ministério Público durante as alegações finais em processo envolvendo tráfico de drogas e porte ilegal de arma, episódio ocorrido em 28 de maio em Florianópolis que repercutiu amplamente na segunda quinzena de junho de 2026 após divulgação de vídeo da audiência.

Contexto

O direito de defesa técnica é garantia fundamental prevista na Constituição Federal (artigo 5.º, inciso LV) e representa um dos pilares do processo penal democrático. A defesa não se reduz à mera presença física do advogado na audiência, mas exige atuação efetiva e independente em prol dos interesses do cliente. O Código de Processo Penal (Decreto-Lei 3.689/1941) estabelece obrigações específicas do defensor, assim como a Lei 8.906/1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil) delimita direitos e deveres profissionais.

A jurisprudência dos tribunais superiores consolidou a compreensão de que a concordância injustificada do defensor com acusações durante o processo viola o exercício adequado da defesa, expondo o acusado a uma situação de vulnerabilidade processual grave. Este caso exemplifica uma situação extrema em que a estratégia defensiva desaparece quando o próprio responsável pela defesa corrobora a versão acusatória.

O que foi decidido

A magistrada responsável pela audiência interpretou que a concordância do advogado com as acusações formuladas pelo Ministério Público durante as alegações finais deixava o réu sem defesa técnica ativa e adequada. Como resposta, a juíza determinou o afastamento do profissional e, implicitamente, reconheceu o estado de indefesa do acusado. Tal decisão reflete a compreensão de que um defensor que concorda com a acusação não exerce a função constitucional de defesa, tornando necessária a intervenção da magistrada para salvaguardar direitos fundamentais do réu.

Base normativa e precedentes

  • Artigo 5.º, inciso LV, CF/88 — Garante aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral o direito ao contraditório e à defesa técnica, com todos os meios e recursos inerentes à proteção.
  • Artigo 96, CPP — Determina que a defesa técnica é direito imprescindível do acusado e que a defesa constitucional é efetiva quando o advogado age de forma independente e estratégica.
  • Lei 8.906/1994 (Estatuto da OAB) — Estabelece direitos e deveres do advogado, incluindo a obrigação de defender com lealdade e diligência.
  • Jurisprudência consolidada — Os tribunais superiores entendem que concordar genericamente com acusações, sem análise crítica das provas e da adequação legal, configura violação do direito de defesa técnica adequada, podendo ensejar nulidade processual.

Impacto prático

Para o acusado: A decisão de afastamento do advogado abre a possibilidade de nulidade processual ou, ao menos, de novo julgamento com defesa técnica efetiva. O reconhecimento judicial de indefesa é fundamento forte para questionar condenações derivadas deste processo.

Para advogados criminalistas: O caso reforça a obrigação de exercer defesa técnica independente, mesmo diante de evidências contraditórias. Concordar passivamente com acusações não apenas prejudica o cliente, mas expõe o profissional a críticas disciplinares e possível reclamação ética perante a OAB.

Para juízes: Reafirma o dever do magistrado de intervir quando detectar indefesa, garantindo que nenhuma condenação ocorra sem defesa técnica materialmente ativa.

Impactos processuais: O afastamento do defensor implica provável impugnação da sentença (apelação) baseada em violação do direito de defesa, podendo redundar em cassação da condenação ou ordenação de novo julgamento.

O que observar

  • Possível recurso: O Ministério Público e a defesa podem recorrer da decisão de afastamento do defensor e da constatação de indefesa ao tribunal competente.
  • Desdobramentos disciplinares: A OAB pode instaurar processo ético contra o advogado afastado, investigando se houve negligência, abandono de defesa ou violação do Estatuto profissional.
  • Precedente jurisprudencial: O caso fortalece linha jurisprudencial de proteção do direito de defesa e pode ser citado em futuras decisões de nulidade processual por indefesa.
  • Módulo processual: Aguarda-se definição sobre como prosseguirá o processo: novo julgamento, designação de defensor público ou anulação parcial.

O episódio funciona como alerta sobre a responsabilidade profissional do advogado criminalista e reafirma que a defesa técnica efetiva não é opcional, mas direito fundamental cuja violação contamina todo o processo penal.

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