TST garante adiamento de sessão para advogada em pós-parto
Tribunal Superior do Trabalho anulou julgamento e reafirmou direito processual de gestantes e puérperas a adiamento de audiências
O Tribunal Superior do Trabalho reafirmou que advogadas em período pós-parto têm direito ao adiamento de sessões de julgamento, anulando decisão anterior que havia prosseguido com o julgamento sem observar essa garantia processual. A decisão reforça a proteção constitucional e legal às mulheres em situação de vulnerabilidade temporária relacionada ao ciclo reprodutivo.
Contexto
O direito ao adiamento de sessão para gestantes e puérperas decorre da Constituição Federal de 1988, que estabelece proteção especial à maternidade, e encontra respaldo em diversas normas infraconstitucionais, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e legislação sobre igualdade de gênero. A questão ganhou maior visibilidade nos últimos anos à medida que a jurisprudência trabalhista passou a reconhecer que o direito processual não deve ser instrumento de discriminação contra mulheres em situações biologicamente vulneráveis.
A Justiça do Trabalho, historicamente, havia tido divergências quanto à extensão desse direito: alguns magistrados consideravam que apenas as partes (empregado e empregador) teriam direito ao adiamento, enquanto a defesa técnica (advogada) seria obrigada a comparecer independentemente da situação pessoal. Essa interpretação restritiva criava uma situação de desigualdade processual, impedindo que mulheres advogadas exercessem plenamente o direito de defesa em condições de igualdade com seus pares masculinos.
A anulação do julgamento pelo TST representa uma inflexão jurisprudencial importante: reconhece que o direito fundamental à igualdade processual não pode ser sacrificado em nome de formalismo processual, e que a vulnerabilidade temporária da puérpera merece proteção mesmo quando se trata da profissional que oferece a defesa técnica.
O que foi decidido
A Subseção I Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho anulou um julgamento que havia ocorrido sem observância do direito ao adiamento solicitado pela advogada em período pós-parto. A decisão implícita é que o adiamento de sessão, em tais circunstâncias, é direito disponível à defesa técnica — não mera faculdade do tribunal ou prerrogativa exclusiva das partes.
Embora o acórdão específico não tenha fixado tese precisa ou enunciado sumular, a fundamentação reconheceu que: (1) o período pós-parto caracteriza situação de vulnerabilidade temporária que merece proteção legal; (2) a advogada, enquanto mulher em tal condição, não pode ser compelida a atuar em audiência ou sessão sem que haja consentimento informado ou impossibilidade real de adiamento; (3) a continuação do julgamento sem observância desse direito vicia o processo de nulidade.
Base normativa e precedentes
-
Art. 5.º, I, CF/88 — Isonomia processual: homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações perante a lei.
-
Art. 226, § 7.º, CF/88 — Proteção especial à maternidade:
Você concorda com a decisão?
🔔 Acompanhe este assunto
Siga os temas desta matéria — a gente te avisa quando houver nova decisão ou conteúdo, direto no seu Meu JusFeed.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar essa matéria.
Relacionadas em Trabalhista
Ver tudo
TST afasta estabilidade de dirigente de cooperativa sem vínculo com categoria
TST entendeu que dirigente de cooperativa de consumo não tem estabilidade frente a empregadora quando não representa a categoria; decisão afina requisitos para proteção.

TST: atestados sem CID e exigência prevista em norma coletiva
A 5ª Turma do TST entendeu que a cobrança do CID prevista em norma coletiva não afronta a LGPD nem gera indenização automática ao empregado.

TST: apuração do assédio eleitoral continua após as eleições
Presidente do TST afirma que investigações sobre assédio eleitoral no ambiente de trabalho prosseguirão mesmo após o pleito; decisão afeta tutela e responsabilização de empregadores.