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BC decreta liquidação da Credipaiva e eleva contagem de liquidações a 22

Banco Central determinou liquidação extrajudicial da Credipaiva por descumprimento de normas; decisão amplia sequência de intervenções e levanta questões sobre supervisão e proteção dos cooperados.

JOTA4 min de leitura
BC decreta liquidação da Credipaiva e eleva contagem de liquidações a 22
Foto: Zihao Wang / Unsplash

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Empregados do Centro Universitário Newton Paiva Ltda (Credipaiva), com efeito imediato sobre a administração da entidade e início dos atos formais de liquidação.

Contexto

A liquidação extrajudicial de instituições financeiras e de crédito cooperativo integra o rol de medidas administrativas que o sistema regulatório brasileiro pode adotar para resguardar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e proteger os interesses dos depositantes ou cooperados. Desde novembro de 2025 houve uma série de intervenções e liquidações administrativas — o fato recente da Credipaiva eleva para 22 o total de liquidações decretadas no período — o que indica maior atividade fiscalizatória ou o reflexo de fragilidades setoriais pontuais.

A atuação sobre cooperativas convoca duas dimensões normativas: o regime específico do cooperativismo e o arcabouço de supervisão prudencial e sancionatória exercido pelo Banco Central. Cooperativas de crédito, ainda que sem fins lucrativos, operam serviços financeiros e, por isso, sujeitam-se a regras de governança, controles internos, limites operacionais e determinações do regulador. A controvérsia pública ganha relevo porque envolve balanço entre autonomia cooperativista e a necessidade de intervenção estatal para prevenir prejuízos sistêmicos ou individuais.

O que foi decidido

O Banco Central optou pela liquidação extrajudicial da Credipaiva alegando grave violação das normas aplicáveis à atividade da instituição e inobservância de determinações previamente expedidas pelo próprio regulador. A medida implica a substituição da administração da cooperativa por um liquidante nomeado pelo BC, a suspensão das atividades normais de gestão pelos dirigentes anteriores e a instauração do processo formal de apuração patrimonial.

Embora a notícia não detalhe quais normas específicas foram infringidas, a fundamentação administrativa costuma concentrar-se em falhas de governança, insuficiência de controles contra riscos de crédito e liquidez, operações em desacordo com limites prudenciais e descumprimento de ordens regulatórias. O BC também anunciou que as apurações poderão ensejar sanções administrativas e comunicações às autoridades competentes — caminho que pode incluir multas, inabilitações administrativas e encaminhamento para responsabilização prudencial ou criminal, conforme o caso.

Base normativa e precedentes

  • Art. 192, CF/88 — disciplina a organização do sistema financeiro nacional como relevante para a atuação do Estado na regulação e supervisão do mercado financeiro.
  • Lei 4.595/1964 — estabelece as competências do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, incluindo medidas administrativas aplicáveis a instituições financeiras.
  • Lei 5.764/1971 — regula o sistema nacional de cooperativismo e define as cooperativas, suas finalidades e regras gerais de organização.
  • Normas prudenciais e resoluções do CMN/Banco Central — disposições infralegais que regulam governança, capital, liquidez e instrumentos de fiscalização aplicáveis a instituições financeiras e cooperativas de crédito.
  • Jurisprudência consolidada dos tribunais administrativos e judiciais — reconhece a competência do regulador para adotar medidas de intervenção administrativa quando demonstrado risco à estabilidade ou descumprimento de normas, sujeita a controle judicial posterior quanto à legalidade e à proporcionalidade da medida.

Impacto prático

  • Advogados e gestores de cooperativas: terão de revisar contratos, estatutos e práticas de governança para mitigar riscos de fiscalização; a liquidação evidencia exigência por maior aderência a normas prudenciais e prontidão para responder a ordens do BC.
  • Cooperados: ficam condicionados à tramitação da liquidação para eventos como devolução de sobras, ressarcimentos ou pagamento de créditos; o processo de liquidação define a ordem de pagamento e os critérios de preferência entre credores.
  • Credores e fornecedores: devem acompanhar a nomeação do liquidante e formalizar créditos perante a massa liquidanda, observando prazos e documentos exigidos.
  • Autoridades e reguladores: a sequência de liquidações pode ensejar revisões de supervisão setorial, ações preventivas e eventuais propostas de aperfeiçoamento normativo sobre cooperativas de crédito.

O que observar

  • Precisão da fundamentação: será essencial acompanhar o edital administrativo e os atos do BC para identificar quais normas e quais determinações foram desrespeitadas, base para possíveis defesas administrativas e judiciais.
  • Proteção dos cooperados: verificar a abertura de canal de comunicação do liquidante para prestação de contas e instruções sobre reclamações e habilitação de créditos.
  • Recursos cabíveis: decisões administrativas de liquidação são passíveis de controle pelo Judiciário; peças processuais deverão discutir legalidade, motivação e proporcionalidade, além de pleitos de tutela de urgência em situações concretas de violação de direitos.
  • Potencial de sanções: a apuração mencionada pelo BC pode resultar em sanções administrativas previstas na legislação bancária e cooperativista, inclusive inabilitação para exercício de cargo de direção.
  • Ambiente regulatório mais restritivo: a série de liquidações implica risco de endurecimento de normas prudenciais e maior exigência quanto a capital, governança e compliance para cooperativas de crédito, impactando custos operacionais e estratégias de atuação.

A evolução dos atos administrativos e eventuais contestações judiciais definirá em que medida a liquidação da Credipaiva servirá de marco para ajustes regulatórios ou seguirá como caso pontual na série de medidas adotadas pelo Banco Central desde novembro de 2025.

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