Execução penal: a fase que o advogado abandona e onde mora a liberdade do cliente
O criminalista comemora a sentença e some. Mas é na execução — progressão, saídas, tornozeleira — que se decide quanto tempo o cliente fica realmente preso. É a fase mais negligenciada e a mais rica em oportunidades.
Há um padrão de comportamento na advocacia criminal que custa liberdade a muita gente: o defensor luta na instrução, recorre da sentença e, quando a condenação transita em julgado, considera o trabalho encerrado. O cliente foi entregue à máquina da execução penal como quem despacha uma bagagem. O erro é grave, porque a execução penal é a fase em que se define, de verdade, quanto tempo a pessoa vai ficar presa — e é, ao mesmo tempo, a mais negligenciada e a mais fértil em oportunidades técnicas. A pena não termina na sentença; ela apenas começa a ser cumprida ali, e cada benefício conquistado é tempo de liberdade recuperado.
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