Riscos psicossociais no trabalho: por que a NR-1 transformou o assédio em risco a gerenciar, não só em dano a indenizar
A atualização da NR-1 deslocou o assédio e o adoecimento mental do fim para o começo da linha. Deixou de ser só reparação depois do dano — virou dever de prevenção antes dele.
Durante décadas, o assédio moral e o adoecimento mental no trabalho foram tratados pelo direito lá no fim da linha: o dano já aconteceu, o trabalhador adoeceu, e a discussão era quanto o empregador paga de indenização. Reparação, sempre reparação. A atualização da NR-1 faz uma coisa que muda a natureza do problema: puxa o assédio e o estresse para o começo da linha e os transforma em risco ocupacional a ser gerenciado — como já se gerencia ruído, poeira e produto químico. Deixa de ser só "quanto se paga depois" e passa a ser "o que se fez para prevenir antes". Quem advoga com direito do trabalho e não captou esse deslocamento vai continuar litigando um jogo que mudou de regra.
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