Pular para o conteúdo
JusFeed
OAB / ConcursosNOTÍCIA

Ceisc lança Programa Advogado Empreendedor com foco em IA

Ceisc apresenta PAE: formação prática para advogados com mentoria, gestão de escritórios e integração com plataforma de inteligência artificial.

Migalhas4 min de leitura
Ceisc lança Programa Advogado Empreendedor com foco em IA
Foto: Albert Stoynov / Unsplash

O Ceisc lançou o "Programa Advogado Empreendedor" (PAE), uma formação voltada a transformar a atuação profissional de advogados recém-aprovados na OAB e de operadores jurídicos já em exercício, combinando capacitação em gestão de escritório, estratégias de mercado e uso de inteligência artificial aplicada à prática forense e administrativa.

Contexto

O mercado jurídico brasileiro tem passado por duas dinâmicas relevantes: a crescente oferta de profissionais e a pressão por diferenciação por meio de gestão eficiente e tecnologia. A formação tradicional do curso de Direito foca em conteúdo doutrinário e técnico-jurídico essencial, mas costuma deixar lacunas quanto à administração de escritório, precificação de serviços, captação de clientes e automação de rotinas. Em paralelo, a incorporação de ferramentas digitais e de inteligência artificial na advocacia tem levantado questões práticas (eficiência, produtividade) e éticas (sigilo, responsabilidade sobre resultados).

Programas de formação continuada e mentorias têm se multiplicado como resposta a essa demanda. O lançamento do PAE insere-se nesse movimento, propondo uma oferta que combina treinamento presencial/online, mentoria com docentes experientes e a disponibilização de uma plataforma de gestão com recursos baseados em IA. A iniciativa também dialoga com o ecossistema de legaltechs, que busca profissionalizar a operação de escritórios e potencializar o serviço jurídico por meio de automação e análise de dados.

O que foi decidido

A decisão organizacional do Ceisc foi estruturar o PAE como uma imersão seguida de um programa composto por aulas exclusivas, um ciclo de 12 mentorias e acesso à plataforma CiaJus por um ano. A primeira masterclass de apresentação foi agendada para 20 de julho em transmissão ao vivo, com participação dos idealizadores do programa. A proposta central é desenvolver a visão de gestor no advogado, capacitando-o para tornar a prática rentável e tecnicamente alinhada às demandas atuais do mercado, incluindo o emprego estratégico de inteligência artificial para gestão de processos, documentos e rotinas administrativas.

Os coordenadores destacam dois públicos-alvo: (i) aprovados na OAB que ainda não estruturaram carreira prática; e (ii) advogados em atuação que buscam profissionalizar e escalar suas atividades. O modelo combina conhecimento jurídico aplicado, técnicas de empreendedorismo jurídico e integração tecnológica por meio da CiaJus, concebida para apoiar a gestão de escritórios.

Base normativa e precedentes

  • Lei 8.906/1994 (Estatuto da OAB) — disciplina o exercício da advocacia, guarda princípios sobre atividade profissional e atribuições que impactam a organização do escritório de advocacia.
  • Código de Ética e Disciplina da OAB — orienta sobre deveres de sigilo, responsabilidade perante o cliente e limites na publicidade e captação de clientela, elementos que influenciam metodologias comerciais ensinadas em formações.
  • Lei 13.709/2018 (LGPD) — impõe obrigações de proteção de dados pessoais, relevantes quando se integra ferramentas de tecnologia e IA na rotina do escritório, especialmente no tratamento de dados sensíveis de clientes.
  • Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) — regulamenta procedimentos processuais e prazos, cuja gestão otimizada é alvo das práticas administrativas que cursos de empreendedorismo jurídico procuram ensinar.
  • Jurisprudência e entendimentos da OAB sobre uso de tecnologia na advocacia — a jurisprudência consolidada e as orientações da seccional devem ser observadas quanto ao uso ético e responsável de plataformas digitais.

Impacto prático

  • Advogados iniciantes: o programa pode reduzir o hiato entre aprovação na OAB e a efetiva atuação profissional, oferecendo caminhos para estruturação inicial de rotina, precificação e captação responsável de clientes.
  • Profissionais em exercício: fornece ferramentas para gestão do tempo, automação de tarefas repetitivas e escalonamento de serviços, podendo melhorar produtividade e rentabilidade.
  • Escritórios: a adoção da CiaJus integrada ao programa tende a padronizar procedimentos administrativos, controle de prazos e fluxo documental, com potencial de redução de custos e de retrabalho.
  • Riscos regulatórios e éticos: a utilização de IA exige conformidade com a LGPD e observância do dever de sigilo e responsabilidade profissional prevista no Estatuto e no Código de Ética; falhas nesses pontos podem gerar responsabilização disciplinar ou civil.
  • Mercado de legaltechs: iniciativas como o PAE fomentam adoção de soluções tecnológicas, impactando demanda por serviços de tecnologia jurídica e alterando competitividade entre escritórios tradicionais e digitalizados.

O que observar

  • Conformidade com a LGPD: advogados e escritórios que adotarem plataformas com IA precisam avaliar fluxos de dados, bases legais para processamento e medidas técnicas e administrativas para proteção de dados.
  • Responsabilidade profissional: o uso de IA não exime o advogado de responsabilidade técnica sobre análises, peças e aconselhamento; é preciso definir controles de revisão humana e auditoria de outputs automatizados.
  • Limites do marketing jurídico: estratégias de captação ensinadas devem respeitar o Código de Ética e as normas seccionais relativas à publicidade profissional.
  • Acompanhamento de resultados: será relevante monitorar indicadores de eficácia do programa (colocação de egressos, aumento de faturamento, eficiência operacional) para validar a proposta como formação profissional.
  • Potenciais desdobramentos regulatórios: à medida que a adoção de IA avança, é provável que a OAB e as seccionais publiquem orientações específicas sobre o tema; os participantes do PAE devem manter-se atualizados.

Em síntese, o PAE do Ceisc representa uma resposta prática às lacunas formativas que emergem na transição da teoria acadêmica para a prática profissional, combinando mentorias, gestão e tecnologia. Para operadores e escritórios, a atenção a conformidade ética e à proteção de dados será fator decisivo na implantação bem-sucedida das inovações propostas.

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar essa matéria.

Relacionadas em OAB / Concursos

Ver tudo
OAB convoca advocacia para 25ª Commonwealth Law Conference
OAB / ConcursosANÁLISE

OAB convoca advocacia para 25ª Commonwealth Law Conference

O Conselho Federal da OAB convida advogados brasileiros para evento em Darwin (9–13 maio/2027), oportunidade para diálogo sobre AI, independência judicial e cooperação internacional.

OAB Federalontem