Ceisc lança Programa Advogado Empreendedor com foco em IA
Ceisc apresenta PAE: formação prática para advogados com mentoria, gestão de escritórios e integração com plataforma de inteligência artificial.

O Ceisc lançou o "Programa Advogado Empreendedor" (PAE), uma formação voltada a transformar a atuação profissional de advogados recém-aprovados na OAB e de operadores jurídicos já em exercício, combinando capacitação em gestão de escritório, estratégias de mercado e uso de inteligência artificial aplicada à prática forense e administrativa.
Contexto
O mercado jurídico brasileiro tem passado por duas dinâmicas relevantes: a crescente oferta de profissionais e a pressão por diferenciação por meio de gestão eficiente e tecnologia. A formação tradicional do curso de Direito foca em conteúdo doutrinário e técnico-jurídico essencial, mas costuma deixar lacunas quanto à administração de escritório, precificação de serviços, captação de clientes e automação de rotinas. Em paralelo, a incorporação de ferramentas digitais e de inteligência artificial na advocacia tem levantado questões práticas (eficiência, produtividade) e éticas (sigilo, responsabilidade sobre resultados).
Programas de formação continuada e mentorias têm se multiplicado como resposta a essa demanda. O lançamento do PAE insere-se nesse movimento, propondo uma oferta que combina treinamento presencial/online, mentoria com docentes experientes e a disponibilização de uma plataforma de gestão com recursos baseados em IA. A iniciativa também dialoga com o ecossistema de legaltechs, que busca profissionalizar a operação de escritórios e potencializar o serviço jurídico por meio de automação e análise de dados.
O que foi decidido
A decisão organizacional do Ceisc foi estruturar o PAE como uma imersão seguida de um programa composto por aulas exclusivas, um ciclo de 12 mentorias e acesso à plataforma CiaJus por um ano. A primeira masterclass de apresentação foi agendada para 20 de julho em transmissão ao vivo, com participação dos idealizadores do programa. A proposta central é desenvolver a visão de gestor no advogado, capacitando-o para tornar a prática rentável e tecnicamente alinhada às demandas atuais do mercado, incluindo o emprego estratégico de inteligência artificial para gestão de processos, documentos e rotinas administrativas.
Os coordenadores destacam dois públicos-alvo: (i) aprovados na OAB que ainda não estruturaram carreira prática; e (ii) advogados em atuação que buscam profissionalizar e escalar suas atividades. O modelo combina conhecimento jurídico aplicado, técnicas de empreendedorismo jurídico e integração tecnológica por meio da CiaJus, concebida para apoiar a gestão de escritórios.
Base normativa e precedentes
- Lei 8.906/1994 (Estatuto da OAB) — disciplina o exercício da advocacia, guarda princípios sobre atividade profissional e atribuições que impactam a organização do escritório de advocacia.
- Código de Ética e Disciplina da OAB — orienta sobre deveres de sigilo, responsabilidade perante o cliente e limites na publicidade e captação de clientela, elementos que influenciam metodologias comerciais ensinadas em formações.
- Lei 13.709/2018 (LGPD) — impõe obrigações de proteção de dados pessoais, relevantes quando se integra ferramentas de tecnologia e IA na rotina do escritório, especialmente no tratamento de dados sensíveis de clientes.
- Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) — regulamenta procedimentos processuais e prazos, cuja gestão otimizada é alvo das práticas administrativas que cursos de empreendedorismo jurídico procuram ensinar.
- Jurisprudência e entendimentos da OAB sobre uso de tecnologia na advocacia — a jurisprudência consolidada e as orientações da seccional devem ser observadas quanto ao uso ético e responsável de plataformas digitais.
Impacto prático
- Advogados iniciantes: o programa pode reduzir o hiato entre aprovação na OAB e a efetiva atuação profissional, oferecendo caminhos para estruturação inicial de rotina, precificação e captação responsável de clientes.
- Profissionais em exercício: fornece ferramentas para gestão do tempo, automação de tarefas repetitivas e escalonamento de serviços, podendo melhorar produtividade e rentabilidade.
- Escritórios: a adoção da CiaJus integrada ao programa tende a padronizar procedimentos administrativos, controle de prazos e fluxo documental, com potencial de redução de custos e de retrabalho.
- Riscos regulatórios e éticos: a utilização de IA exige conformidade com a LGPD e observância do dever de sigilo e responsabilidade profissional prevista no Estatuto e no Código de Ética; falhas nesses pontos podem gerar responsabilização disciplinar ou civil.
- Mercado de legaltechs: iniciativas como o PAE fomentam adoção de soluções tecnológicas, impactando demanda por serviços de tecnologia jurídica e alterando competitividade entre escritórios tradicionais e digitalizados.
O que observar
- Conformidade com a LGPD: advogados e escritórios que adotarem plataformas com IA precisam avaliar fluxos de dados, bases legais para processamento e medidas técnicas e administrativas para proteção de dados.
- Responsabilidade profissional: o uso de IA não exime o advogado de responsabilidade técnica sobre análises, peças e aconselhamento; é preciso definir controles de revisão humana e auditoria de outputs automatizados.
- Limites do marketing jurídico: estratégias de captação ensinadas devem respeitar o Código de Ética e as normas seccionais relativas à publicidade profissional.
- Acompanhamento de resultados: será relevante monitorar indicadores de eficácia do programa (colocação de egressos, aumento de faturamento, eficiência operacional) para validar a proposta como formação profissional.
- Potenciais desdobramentos regulatórios: à medida que a adoção de IA avança, é provável que a OAB e as seccionais publiquem orientações específicas sobre o tema; os participantes do PAE devem manter-se atualizados.
Em síntese, o PAE do Ceisc representa uma resposta prática às lacunas formativas que emergem na transição da teoria acadêmica para a prática profissional, combinando mentorias, gestão e tecnologia. Para operadores e escritórios, a atenção a conformidade ética e à proteção de dados será fator decisivo na implantação bem-sucedida das inovações propostas.
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