NFA amplia sociedade e fortalece modelo Real Estate Finance
Escritório promove seis sócios internos ao completar 15 anos, consolidando aposta em mercado de capitais, imobiliário e contencioso.

O NFA — Negrão Ferrari Advogados anunciou a promoção de seis profissionais à sociedade ao completar 15 anos de atividade, elevando o quadro societário para quinze sócios. A medida, além de ser um marco interno de carreira, expressa uma estratégia deliberada de consolidação de competências centrais do escritório nas áreas de mercado de capitais, imobiliário e contencioso, sob o guarda-chuva do que classificam como modelo "Real Estate Finance".
Contexto
O movimento de promoção de talentos formados internamente é prática recorrente em bancas que buscam garantir continuidade cultural, retenção de clientes e eficiência na prestação de serviços integrados. No mercado jurídico atual, escritórios que atuam com operações complexas de securitização, fundos imobiliários, emissões de CRI/CRA e estruturações de lastro financeiro vêm ampliando equipes multidisciplinares para atender demandas que interligam direito societário, contratos, compliance e litigância especializada. A controvérsia profissional típica nesse ambiente envolve governança da sociedade de advogados, gestão de conflitos de interesse em operações estruturadas e a conciliação entre crescimento orgânico e exigência disciplinar imposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Nesse cenário, a promoção interna responde a duas tensões: (i) necessidade de capital intelectual especializado para sustentar operações de grande porte e complexidade jurídica; e (ii) necessidade de preservar conformidade com normas éticas e de organização societária aplicáveis às sociedades de advogados. A escolha por profissionais com histórico dentro do escritório reduz o risco de descontinuidade técnica e facilita a manutenção do relacionamento com clientes institucionais, como securitizadoras, fundos e emissores.
O que foi decidido
A direção do NFA elevou seis advogados à condição de sócios — especialistas em societário, imobiliário, auditoria imobiliária, contencioso cível e mercado de capitais — como parte de uma política explícita de crescimento orgânico. A decisão foi justificada pela necessidade de fortalecer áreas alinhadas ao aumento das operações de mercado de capitais e ao ciclo de negócios imobiliários, incluindo a estruturação de garantias, due diligence, constituição de lastro e suporte a litígios e recuperação de crédito.
Do ponto de vista prático, a turma societária interna foi ampliada com profissionais que atuam em operações de securitização, ofertas públicas, incorporação imobiliária e auditorias imobiliárias. A promoção sinaliza que a banca pretende oferecer atendimento integrado ao longo de todo o ciclo transacional — da estruturação ao contencioso — fortalecendo a proposição de valor para clientes que demandam simultaneamente assessoria contratual, societária, regulatória e litígios.
Base normativa e precedentes
- Estatuto da OAB (Lei 8.906/1994) — estabelece a disciplina profissional, veda práticas incompatíveis com o exercício da advocacia e regula a constituição e organização das sociedades de advogados.
- Código Civil (Lei 10.406/2002) — rege, subsidiariamente, contratos societários e a responsabilidade civil, aplicável às sociedades empresárias e contratos entre sócios.
- Lei das S.A. (Lei 6.404/1976) — relevante para escritórios que assessoram operações em bolsa, ofertas públicas e governança societária de emissores.
- Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) — pertinente ao contencioso cível e às estratégias processuais em litígios envolvendo operações imobiliárias e financeiras.
- LGPD (Lei 13.709/2018) — aplicável às due diligences e ao tratamento de dados pessoais nas operações de mercado e imobiliárias.
- Jurisprudência e práticas de mercado consolidam que sociedades de advogados devem estruturar regras internas claras sobre admissão, participação societária e política de conflitos; neste ponto, a governança interna e o acordo de sócios têm papel central.
Impacto prático
- Para clientes institucionais: expectativa de atendimento mais integrado em operações que combinam estruturação financeira, constituição de garantias e suporte contencioso, reduzindo a necessidade de contratar múltiplas bancas.
- Para operações de mercado de capitais: ganho de capacidade técnica interna para ofertar estruturas de securitização, emissão de CRI/CRA, debêntures e fundos imobiliários, potencialmente acelerando diligências e reduzindo custos de coordenação externa.
- Para o contencioso: maior sinergia entre equipes que estruturam e que litigam, o que pode traduzir-se em estratégias de prevenção e mitigação de passivos mais eficazes, além de resposta mais rápida a demandas judiciais e de recuperação de crédito.
- Para o mercado de trabalho jurídico: reforça tendência de promoção interna como instrumento de retenção e transferência de capital intelectual, estimulando carreira vertical dentro da banca.
O que observar
- Governança societária e acordo de sócios: é crítico que a banca formalize critérios objetivos de ingresso e sucessão, política de distribuição de lucros e regras de saída, para evitar litígios internos e garantir transparência fiscal e trabalhista.
- Conflitos de interesse: a atuação integrada em operações que envolvem múltiplas partes financeiras exige mecanismos robustos de prevenção e resolução de conflitos, em conformidade com o Estatuto da OAB e normas de compliance do mercado financeiro.
- Compliance e LGPD: incremento de atuação em due diligence e securitização exige políticas claras de tratamento de dados e de KYC/AML, com possíveis impactos regulatórios e reputacionais se negligenciados.
- Sustentabilidade do crescimento: a ampliação societária precisa ser acompanhada por investimentos em gestão, tecnologia e formação continuada; sem isso, há risco de sobrecarga operacional e perda de qualidade técnica.
- Fiscalidade e estrutura societária: dependerá do modelo adotado para participação societária (quota vs. participação societária com pró-labore), sendo importante o alinhamento com o Código Civil e a legislação tributária vigente.
Em síntese, a promoção anunciada pelo NFA representa, além de um marco de carreira, uma decisão estratégica que reforça a oferta integrada de serviços no setor de Real Estate Finance. O êxito prático dessa estratégia exigirá governança clara, controles éticos e de compliance adequados, e alinhamento entre objetivos societários e a prestação de serviços complexos no ambiente regulatório e de mercado brasileiro.
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