O colapso do federalismo fiscal brasileiro: uma análise jurídica alarmante
O colapso do federalismo fiscal brasileiro: uma análise jurídica alarmante O modelo de federalismo fiscal no Brasil, já fragilizado por décadas de centralização orçamentária, enfrenta atualmente um momento de ameaça real à sua integridade c

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O colapso do federalismo fiscal brasileiro: uma análise jurídica alarmante
O modelo de federalismo fiscal no Brasil, já fragilizado por décadas de centralização orçamentária, enfrenta atualmente um momento de ameaça real à sua integridade constitucional. O recente estudo publicado aponta para um desequilíbrio crítico entre os entes federativos, colocando em xeque os princípios consagrados pelo art. 1º, caput, e art. 60, §4º, I da Constituição Federal de 1988 – que garantem a forma federativa como cláusula pétrea.
A centralização das receitas e o enfraquecimento da autonomia federativa
Desde a Constituição de 1988, o pacto federativo brasileiro estabelece a autonomia político-administrativa e financeira dos entes federativos: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Contudo, observa-se uma progressiva hegemonia da União quanto à arrecadação de receitas tributárias, em detrimento da participação efetiva dos demais entes. Segundo dados do Tesouro Nacional, a União concentra, atualmente, mais de 60% das receitas tributárias líquidas.
O conflito entre competências e receitas
Nota-se um descompasso crescente entre a distribuição de competências federativas prevista no art. 23 e art. 30 da Constituição e a realidade fiscal dos entes que as exercem. Estados e municípios, cada vez mais incumbidos de obrigações constitucionais como saúde, educação e segurança pública, enfrentam notórias dificuldades financeiras devido à insuficiência estrutural de receitas próprias e à dependência de transferências voluntárias da União.
Consequências jurídicas e institucionais
A concentração fiscal compromete princípios basilares da administração pública, como a eficiência (art. 37, caput) e a equidade, além de enfraquecer a independência institucional dos poderes locais. Do ponto de vista jurídico, tal desequilíbrio pode ser questionado por meio de ações de controle concentrado de constitucionalidade, especialmente quando há violação dos princípios da separação dos poderes e da autonomia financeira federativa.
Os riscos de recentralização inconstitucional das competências
O cenário atual abre espaço para o estabelecimento de um pseudo-federalismo, no qual os entes estaduais e municipais agem como meros executores das políticas federais. Jurisprudência recente do STF, notadamente nas ADIs 5599 e 6221, já alertou para os riscos da invasão de competências constitucionais, reforçando a necessidade de observância estrita ao princípio da subsidiariedade no pacto federativo.
Perspectivas e alternativas para o reequilíbrio federativo
Especialistas apontam para a necessidade urgente de uma reforma tributária ampla e criteriosa, que esteja alinhada com os princípios constitucionais e reconheça a importância dos entes subnacionais. Algumas propostas legislativas em discussão, como as PECs 45/2019 e 110/2019, buscam simplificar o sistema tributário, mas ainda enfrentam grande resistência política e técnica, em especial no que se refere à redistribuição real das receitas.
Medidas jurídicas a serem consideradas
- Revisão do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM);
- Redefinição dos critérios de repartição das receitas do ICMS e do ISS, conforme art. 158 da CF;
- Aprimoramento do art. 160 da CF para prever maior segurança nas transferências constitucionais obrigatórias;
- Fortalecimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000) como instrumento de equilíbrio financeiro com foco federativo.
O futuro do federalismo brasileiro depende de uma atuação institucional coesa e respeitosa às cláusulas pétreas, sob pena de reconfiguração do modelo de Estado nacional.
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Por Memória Forense
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