OAB-RJ lança projeto escolar para prevenção da violência contra a mulher
O projeto 'O Respeito Começa na Escola' articula ações educativas em parceria com rede pública para prevenir violência de gênero; medida tem implicações jurídicas e pedagógicas.

Lead de resposta direta A OAB/RJ lançou o projeto "O Respeito Começa na Escola", que promoverá palestras, oficinas e atividades lúdicas em escolas públicas e privadas do estado com objetivo de prevenir a violência contra a mulher. A iniciativa, conduzida por comissões da OAB em parceria com secretarias de educação e outras instituições, tem efeito prático imediato de articular atuação preventiva e formação da comunidade escolar.
Contexto
A iniciativa insere-se num panorama em que o enfrentamento à violência de gênero exige respostas multidisciplinares: além do aparato repressivo previsto na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), a comunidade escolar é reconhecida como espaço estratégico para prevenção e promoção de igualdade de gênero. No campo normativo, a Constituição Federal de 1988 impõe proteção e prioridade a crianças e adolescentes (art. 227) e consagra princípios de igualdade (art. 5º). O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei 8.069/1990) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei 9.394/1996) conferem à escola responsabilidades relativas à formação cidadã e à proteção integral. Jurisprudência e políticas públicas nacionais têm reiterado a necessidade de integração entre órgãos de educação, saúde e assistência social para operacionalizar programas preventivos. Diante disso, a OAB/RJ busca atuar como agente de conscientização, complementando ações estatais e mobilizando a advocacia para atuação pedagógica.
O que foi decidido
Não se trata de decisão judicial, mas de um plano de atuação institucional: a OAB/RJ estruturou um projeto de intervenção educativa que prevê visitas a escolas de todas as regiões do Estado, promoção de palestras, rodas de conversa, oficinas e atividades lúdicas adaptadas por faixa etária. As ações serão executadas por advogadas das comissões OAB Mulher RJ e OAB/RJ Vai à Escola, com apoio de subseções locais e instituições parceiras. Prevê-se ainda a criação de um selo "Escola Parceira da Cultura do Respeito", a instauração de uma semana temática em março e a formação de redes permanentes de conscientização no ambiente escolar. As primeiras intervenções já foram agendadas em unidades escolares municipais do Rio de Janeiro.
Os fundamentos práticos da iniciativa são preventivos e pedagógicos: atuar no sentido de reduzir a naturalização do machismo, promover empatia, cidadania e conhecimento sobre direitos humanos e mecanismos de proteção. A iniciativa posiciona a OAB como agente mobilizador em um campo tradicionalmente ocupado por políticas públicas, buscando complementar a atuação estatal por meio de formação e divulgação de conteúdos jurídicos e cívicos.
Base normativa e precedentes
- Art. 5º, CF/88 — princípio da igualdade e proteção da dignidade da pessoa humana, fundamento para ações de prevenção à discriminação de gênero.
- Art. 227, CF/88 — prioridade absoluta à proteção integral de crianças e adolescentes, justificando a intervenção educativa preventiva.
- Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) — regime protetivo e medidas de proteção às mulheres, cuja eficácia também depende de prevenção e educação para prevenir violência.
- Lei 8.069/1990 (ECA) — atribuições da escola na proteção e formação de crianças e adolescentes, incluindo medidas de prevenção e encaminhamento.
- Lei 9.394/1996 (LDB) — orientações para o papel formador da escola, incluindo educação em direitos humanos e cidadania.
- Jurisprudência consolidada dos tribunais — reconhece a relevância de ações educativas e políticas públicas integradas para prevenção da violência e proteção de vulneráveis.
Impacto prático
- Advogados e comissões da OAB: ampliação de atuação extrajudicial com foco pedagógico; necessidade de formação específica para atuação junto a crianças e adolescentes (observância de limites éticos e legais).
- Escolas públicas e privadas: possibilidade de incorporação de atividades temáticas e protocolos de atuação; necessidade de coordenação com direções e secretarias de educação para adequação curricular e logística.
- Poder público (secretarias de educação e assistência social): oportunidade de articular parcerias e integrar as ações ao planejamento municipal/estadual de enfrentamento à violência de gênero.
- Criancas e adolescentes: exposição precoce a conteúdos sobre igualdade de gênero, direitos e mecanismos de proteção, o que pode contribuir para mudança cultural de médio e longo prazo.
- Processos judiciais e redes de proteção: medidas preventivas bem desenhadas podem reduzir incidência de casos e melhorar encaminhamentos, mas não substituem atendimento especializado ou medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
O que observar
- Competência pedagógica e limites institucionais: a intervenção da OAB em escolas exige coordenação com os responsáveis pela política educacional; definir claramente currículo, materiais e limites de atuação para evitar conflitos com diretrizes escolares e garantir conformidade com LDB e ECA.
- Proteção de dados e confidencialidade: atividades em ambiente escolar implicam cuidados com privacidade de menores; atenção às normas sobre uso de imagens e informações, respeitando orientações das secretarias e boas práticas institucionais.
- Formação dos operadores: advogadas e voluntárias deverão receber capacitação específica sobre abordagem pedagógica com crianças e adolescentes e sobre encaminhamento de casos de violência, evitando revitimização e respeitando fluxos interprofissionais.
- Sustentabilidade e mensuração de resultados: projetar indicadores e formas de avaliação para demonstrar impacto, o que facilitará replicação e eventual modulação da parceria com entes públicos.
- Possibilidade de expansão e riscos jurídicos: ao ampliar atuação em escolas privadas e públicas, a OAB deverá formalizar termos de cooperação e ajustar responsabilidade civil por eventuais incidentes; atenção a eventuais críticas sobre intervenção curricular.
Conclusão: a iniciativa da OAB/RJ representa uma resposta institucional relevante à demanda por prevenção da violência de gênero, articulando produção de conhecimento jurídico com práticas educativas. Para transformar impulso inicial em política pública eficaz, será decisivo o alinhamento com normas educacionais, a capacitação adequada de quem atua em sala de aula e a construção de protocolos interinstitucionais que integrem proteção, encaminhamento e avaliação contínua.
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