Livro debate sociedades de advogados e gestão na advocacia brasileira
Obra de Stanley Martins Frasão analisa estruturalmente sociedades de advogados, unindo direito, gestão e ética para orientar sócios e gestores.

A publicação "Sociedade de Advogados e a Advocacia Brasileira", de Stanley Martins Frasão, apresenta uma análise integrada do regime jurídico e das práticas de gestão das sociedades de advogados no Brasil, com reflexões que mesclam experiência prática, atuação institucional e perspectivas sobre inovação e ética. A obra destina-se a sócios, gestores, advogados em início de carreira e estudantes, fornecendo ferramentas teóricas e aplicadas para enfrentar os desafios contemporâneos da profissão.
Contexto
A advocacia brasileira tem atravessado uma etapa de transformação estrutural marcada por mudanças tecnológicas, novos modelos de prestação de serviços jurídicos e pressão por profissionalização da gestão. Esse movimento desafia o enquadramento tradicional das sociedades de advogados, que precisam conciliar princípios éticos e institucionais próprios da profissão com exigências empresariais como governança, compliance e inovação digital.
Historicamente, o regime das sociedades de advogados ocupa um espaço híbrido entre normas profissionais e empresariais: por um lado, submetem-se às balizas do Estatuto da Advocacia e da OAB; por outro, interagem com regras gerais de direito societário e contratual. A crescente complexidade das demandas — gestão de risco, proteção de dados, modelos remuneratórios e estrutura societária — alimenta debates doutrinários e práticos sobre qual é a melhor configuração organizacional para garantir eficiência sem ferir preceitos éticos.
A controvérsia importa porque as escolhas societárias impactam responsabilidade profissional, compatibilidade com o monopólio da atividade advocatícia, disciplina ética e viabilidade econômico-financeira dos escritórios. Em paralelo, a profissionalização da gestão implica repensar governança, sucessão e modelos de remuneração, questões que já têm repercussão em litígios, regulação da OAB e atuação institucional.
O que foi decidido
Trata-se de uma obra e não de uma decisão jurisdicional; ainda assim, seu valor jurídico-prático reside na sistematização e na proposição de soluções para problemas recorrentes nas sociedades de advogados. O autor apresenta uma tese integradora: é possível conciliar o regime específico aplicável à advocacia com práticas empresariais modernas, desde que observadas as balizas éticas e institucionais da profissão. A obra percorre desde os fundamentos jurídico-institucionais até instrumentos de gestão, propondo que as sociedades adotem estruturas claras de governança, contratos internos e modelos de distribuição de resultados capazes de reduzir conflitos e riscos profissionais.
Nos fundamentos centrais, o livro enfatiza: (i) a necessidade de compreensão do regime jurídico próprio da advocacia; (ii) a importância de formalizar regras internas (governança, sucessão e compliance); (iii) a articulação entre inovação tecnológica e deveres éticos; e (iv) a centralidade da qualificação gerencial para a sustentabilidade dos escritórios. O autor alia experiência prática e repertório institucional para oferecer orientações aplicáveis, sem pretensão normativa vinculante, mas com robustez técnica para orientar decisões societárias.
Base normativa e precedentes
- Lei 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB) — disciplina os limites éticos e institucionais da atividade advocatícia, inclusive regime das sociedades de advogados e prerrogativas da profissão.
- Código Civil (Lei 10.406/2002) — normas gerais aplicáveis a contratos societários, sociedades simples e regras de responsabilidade civil e patrimonial.
- Princípios do exercício profissional e ética da OAB — provimentos e resoluções da OAB e seccionais trazem regulamentação sobre constituição, publicidade, honorários e impedimentos aplicáveis às sociedades.
- Jurisprudência consolidada dos tribunais — orientações sobre natureza jurídica das sociedades de advogados, responsabilidade por atos profissionais e limites entre atividade empresarial e profissão regulamentada.
Impacto prático
- Para sócios e gestores: a obra oferece repertório prático para estruturar contratos sociais, acordos de sócios e políticas internas de governança, contribuindo para reduzir litígios societários e operacionais.
- Para advogados em início de carreira: fornece critérios para avaliar modelos de ingresso em sociedades, regimes de participação nos resultados e caminhos de desenvolvimento profissional dentro de estruturas coletivas.
- Para departamentos jurídicos e consultores: apresenta subsídios para aconselhar escritórios sobre compliance, proteção de dados e alinhamento entre inovação tecnológica e deveres éticos.
- Para a regulação da OAB: a sistematização tende a subsidiar debates internos sobre atualização de normativos e orientações sobre exercício associativo e modelos de prestação de serviços.
O que observar
- Ponto de atenção regulatório: a articulação entre práticas empresariais e preceitos éticos exige vigilância quanto a limites estabelecidos pelo Estatuto da OAB e por provimentos das seccionais; a adoção de modelos de governança não exime o cumprimento rígido das proibições éticas.
- Riscos societários e de responsabilidade: estruturas inadequadas de divisão de tarefas e de atribuição de poderes podem ampliar exposição a responsabilização civil e disciplinar; convém prever mecanismos claros de responsabilização e seguro de responsabilidade profissional.
- Transformação digital: a incorporação de tecnologia impõe cuidados com proteção de dados e sigilo profissional; recomenda-se integração de medidas de segurança e políticas de tratamento de dados pessoais compatíveis com a Lei 13.709/2018 (LGPD).
- Próximos passos institucionais: o debate que o livro fomenta pode impulsionar proposições normativas da OAB e aprofundamento de orientações sobre governança em sociedades de advogados; especialistas devem acompanhar eventual atualização de provimentos e recomendações das seccionais.
Conclusão
A obra de Stanley Martins Frasão preenche uma lacuna prática e doutrinária ao conectar o regime jurídico próprio da advocacia com ferramentas de gestão contemporâneas. Para profissionais que administram ou planejam integrar sociedades de advogados, o livro funciona como guia técnico que articula ética, estrutura societária e inovação, apontando caminhos para modernizar a profissão sem perder de vista a disciplina institucional que a sustenta.
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