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STJ: visibilidade e transição de jovens em acolhimento institucional

Ministra do STJ chamou atenção para a invisibilidade de crianças e adolescentes em abrigos e a ausência de políticas de transição pós-acolhimento.

Migalhas4 min de leitura
STJ: visibilidade e transição de jovens em acolhimento institucional

Decisão e efeito prático imediato: A manifestação da ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) durante julgamento sobre a permanência de um bebê com família substituta funcionou como alerta institucional: crianças e adolescentes em acolhimento institucional seguem majoritariamente invisibilizados nas políticas públicas e na atuação do Judiciário, o que demanda maior atenção e ações coordenadas para a transição para a vida adulta.

Contexto

A problemática do acolhimento institucional está enraizada em uma tensão normativa e administrativa: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei 8.069/1990) e a Constituição Federal (CF/88, art. 227) firmam a prioridade absoluta e o dever do Estado de proteção, mas a implementação prática esbarra em lacunas orçamentárias, organizacionais e culturais. Há anos a doutrina e parte da jurisprudência apontam que o acolhimento deve ser medida provisória e orientada à reintegração familiar ou à adoção, evitando a institucionalização como solução permanente. Mesmo assim, persistem divergências sobre a efetividade de políticas públicas de inclusão socioprodutiva e sobre a responsabilidade de atores estatais (União, Estados, Municípios e Judiciário) na preparação dos jovens para a vida adulta.

A declaração da ministra insere-se nesse debate: ela chamou atenção para a dupla invisibilidade — administrativa e judicial — que atinge jovens não-infratores acolhidos. O enfoque não foi técnico-processual, mas político-jurídico: a insuficiência de medidas de acompanhamento e a omissão na fase pós-acolhimento, cujas consequências se estendem à violação de direitos fundamentais.

O que foi decidido

No caso concreto, a turma do STJ manteve a solução de abrigo familiar para um bebê com necessidades especiais, acompanhando o relator. Porém, mais relevante que o desfecho particular foi a manifestação da ministra que aproveitou o julgamento para expor falhas estruturais no sistema de proteção. A ministra conclamou o tribunal e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a aproximarem-se do tema e a escutarem os próprios jovens acolhidos — iniciativa que resultará em interlocução entre uma comissão de jovens e a Corregedoria Nacional de Justiça.

Embora não se tenha tratado de alteração jurisprudencial vinculante, a declaração tem peso normativo-pragmático: trata-se de um estímulo interno ao STJ para que algumas seções passem a incorporar nas suas análises não apenas o interesse imediato da criança, mas também políticas públicas de suporte à transição para a autonomia.

Base normativa e precedentes

  • Art. 227, CF/88 — estabelece a proteção integral de crianças e adolescentes como dever da família, sociedade e Estado.
  • Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) — disciplina medidas de proteção, modalidade de acolhimento e prioridade na política pública de infância e juventude.
  • Princípio da prioridade absoluta — fundamento constitucional e estatutário que orienta interpretação restritiva da institucionalização e favorece soluções de convivência familiar.
  • Jurisprudência consolidada do tribunal — entendimento de que o acolhimento é medida excepcional e temporária, devendo priorizar a reintegração familiar, guarda ou adoção, combinando medida de proteção com políticas sociais.

Impacto prático

  • Para magistrados: reforça a necessidade de decisões que articulem medidas judiciais com políticas públicas e acompanhem a eficácia das providências administrativas, sobretudo na transição dos 18 anos.
  • Para operadores do Direito (advogados e defensores): amplifica argumentos em ações que visem assegurar planos de saída do acolhimento, inclusão em programas de formação profissional e acesso a direitos sociais básicos (moradia, educação, saúde, vinculação econômica).
  • Para gestores públicos e CNJ: pressão para formular ou ajustar políticas públicas que contemplem o pós-acolhimento, incluindo programas de preparação para autonomia, acompanhamento socioassistencial e inserção no mercado de trabalho.
  • Para instituições de acolhimento e família substituta: chamada a reforçar práticas pedagógicas cotidianas (educação financeira, autonomia doméstica, convivência social) e registros que preservem identidade e dignidade do jovem.
  • Para ações em curso: decisões sobre permanência e guarda devem avaliar, além do interesse imediato, a existência de plano de transição, o que pode influenciar perícias, fiscalizações e medidas de execução das sentenças.

O que observar

  • Modulação e medidas de controle: por ora, não houve alteração de tese vinculante; a resposta institucional dependerá de iniciativas do CNJ, das seções do STJ e de políticas legislativas ou administrativas.
  • Recursos cabíveis: decisões concretas relativas a acolhimento continuam sujeitas a recurso no âmbito do próprio tribunal e a revisão por instrumentos constitucionais quando houver violação de direitos fundamentais.
  • Inventário de políticas públicas: é necessário mapear programas estaduais e municipais que atendam à transição da vida em abrigo para autonomia; a ausência desse mapeamento é risco para a efetividade das medidas judiciais.
  • Proteção da identidade: atenção a práticas que reduzem jovens a

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