TJSP inicia exames orais do 192º concurso da magistratura
TJSP deu início às arguições orais do 192º concurso para ingresso na magistratura; decisão administrativa reitera critérios técnicos e etapas de avaliação essenciais à nomeação.

Lead de resposta direta O Tribunal de Justiça de São Paulo começou as arguições orais do 192º Concurso de Ingresso na Magistratura, avaliando 122 candidatos em sessão presidida pelo desembargador Milton Paulo de Carvalho Filho; a etapa reafirma critérios técnicos e sequência de etapas previstos no regulamento do certame, com impacto direto sobre a formação da futura carreira judicial.
Contexto
A seleção para a magistratura é procedimento público e seletivo que combina provas objetivas, discursivas, exames de prática e avaliações de conduta pessoal e de saúde. No caso do 192º concurso do TJSP, mais de sete mil inscritos foram sucessivamente filtrados: prova objetiva, etapa discursiva e prática, sindicância de vida pregressa, exames de sanidade física e mental e avaliação psicológica. A fase atual — exames orais — é tradicionalmente decisiva na escolha final, porque exige do candidato não apenas conhecimento técnico, mas também performance argumentativa e adequação de linguagem. Historicamente, concursos para magistratura no Brasil suscitam debates sobre critérios de transparência, padronização das bancas e proteção dos princípios constitucionais que regem a administração pública.
A controvérsia pública mais recorrente envolve a subjetividade das notas em provas orais e a compatibilização entre o caráter meritocrático do concurso e garantias processuais aos candidatos, como motivação das notas e possibilidade de recurso. Além disso, a composição da comissão examinadora — incluindo representantes do Tribunal, da Ordem dos Advogados e do Ministério Público — visa conferir pluralidade de perspectivas e reduzir enviesamentos.
O que foi decidido
A decisão administrativa central aqui não é um julgado, mas o rito e a condução das arguições orais no âmbito do próprio TJSP: a banca presidida pelo desembargador Milton Paulo de Carvalho Filho dará cinco arguições por dia, com cada candidato tendo até 15 minutos para responder a temas sorteados previamente. Os temas são disponibilizados com 24 horas de antecedência, nos termos do regulamento da comissão, e abrangem seções de Direito Público, Direito Privado e Direito Criminal. Ao final desta fase, seguirá a avaliação de títulos, que fechará o ciclo classificatório.
Os fundamentos práticos da organização destacam a necessidade de observar critérios objetivos (tempo de fala, domínio do tema, clareza e vernáculo) e a participação institucional de membros indicados pelo Tribunal, OAB-SP e Ministério Público, o que confere legitimidade técnica e institucional ao processo seletivo. A presença do presidente e do vice-presidente do TJSP na abertura reforça a demonstração institucional de interesse em selecionar magistrados "íntegros e comprometidos", como declarado.
Base normativa e precedentes
- Art. 95, CF/88 — disposições sobre a magistratura, seus privilégios e garantias, que contextualizam a importância do ingresso por concurso público.
- Lei Complementar 35/1979 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) — disciplina deveres, direitos e requisitos gerais da carreira, servindo de marco para critérios de ingresso e de conduta.
- CPC (Lei 13.105/2015) — não regula concursos, mas fornece referência quanto aos padrões de motivação e transparência que se espera dos órgãos jurisdicionais.
- A jurisprudência consolidada do Tribunal — orienta práticas internas sobre notas em provas orais, publicidade dos atos e participação de entidades externas (OAB e MP) nas bancas.
Impacto prático
- Para candidatos: a definição de 15 minutos por arguição e o sorteio prévio de temas impõem necessidade de preparação focada em síntese, argumentação concisa e domínio técnico multidisciplinar. A sequência de etapas cumpridas (sindicância, exames médicos e avaliação psicológica) reforça que a aprovação depende também de requisitos extratecnicistas, como idoneidade e aptidão física/mental.
- Para advogados e orientadores: aumenta a importância de treinos simulados que reproduzam o formato oral e a avaliação do vernáculo; devem orientar sobre manejo do tempo e técnicas de exposição jurídica oral.
- Para o próprio Tribunal: a composição plural da comissão e a publicidade dos procedimentos reduzem riscos de questionamento judicial por falta de imparcialidade; ainda assim, a subjetividade inerente às arguições mantém espaço para impugnações administrativas ou judiciais quanto à motivação das notas.
- Para a administração pública e sociedade: a etapa representa um filtro final que influencia diretamente a qualidade do corpo judicial estadual, afetando o acesso ao Judiciário e a prestação jurisdicional futura.
O que observar
- Motivação e transparência: candidatos que se sentirem prejudicados nas notas das arguições podem buscar informações sobre os critérios e a fundamentação das avaliações; a ausência de motivação detalhada pode ensejar reclamação administrativa ou ação judicial, à luz do princípio da motivação dos atos administrativos.
- Recursos cabíveis: verificar o regulamento do concurso sobre prazos e formas de impugnação de notas e resultados; esgotadas as vias internas, permanece a possibilidade de controle jurisdicional, observando-se os requisitos de tutela cautelar em matéria de concurso público.
- Risco de subjetividade: a comissão plural reduz, mas não elimina, a subjetividade. Recomenda-se que o TJSP registre as avaliações e mantenha documentos que detalhem os critérios aplicados, como medida preventiva contra impugnações.
- Modulação de atos futuros: caso ocorram decisões judiciais que apontem vícios na avaliação, poderá haver impacto sobre a homologação final do concurso e o provimento de vagas, com eventuais efeitos sobre lotações e nomeações.
Conclusão resumida: a abertura dos exames orais do 192º concurso do TJSP reafirma práticas consagradas de seleção de magistrados — tempo controlado, banca plural e etapas complementares de avaliação —, mas mantém desafios práticos relacionados à subjetividade das notas e à necessidade de transparência documental, pontos que merecem atenção de candidatos, advogados e da própria administração judiciária.
Você concorda com a decisão?
🔔 Acompanhe este assunto
Siga os temas desta matéria — a gente te avisa quando houver nova decisão ou conteúdo, direto no seu Meu JusFeed.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar essa matéria.
Relacionadas em OAB / Concursos
Ver tudo
Gabarito e resultado preliminar do 47º EOU: implicações e prazos
Coneor divulgou gabarito definitivo e resultado preliminar da primeira fase do 47º Exame de Ordem; prazo para recursos é 24–25/09/2026.

Segunda Câmara do CFOAB conclui 69 julgamentos sobre ética e disciplina
A Segunda Câmara do Conselho Federal da OAB finalizou 69 julgamentos disciplinares em sessão virtual, definindo desdobramentos práticos para procedimentos éticos e celeridade processual.

OAB anula questão do 47º Exame de Ordem e atribui pontuação
OAB anulou uma questão de Direito Empresarial do 47º Exame de Ordem e lançou a pontuação prevista no edital; medida afeta resultado e critérios de classificação.