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TJSP e programa Virando a Página: doações para a Fundação Casa

O TJSP, via GMF, participa do programa Virando a Página para ampliar acesso à leitura nas unidades da Fundação Casa, reforçando direitos culturais e medidas socioeducativas.

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TJSP e programa Virando a Página: doações para a Fundação Casa
Foto: Remington Wigzell / Unsplash

O Tribunal de Justiça de São Paulo aderiu ao programa “Virando a Página”, recebendo doações de livros destinadas às unidades da Fundação Casa, com efeito imediato de ampliação do acervo e estímulo à leitura para adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.

Contexto

A iniciativa se insere na intersecção entre políticas públicas de cultura, direitos da criança e do adolescente e a atuação de controle e fiscalização do sistema socioeducativo pelo Poder Judiciário. A Fundação Casa abriga adolescentes submetidos a medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que regula a execução das medidas socioeducativas. Historicamente, há esforços convergentes entre instituições culturais, poder público e órgãos de controle para promover acesso à leitura como instrumento de ressocialização e formação. A participação do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF) do TJSP reflete a tendência contemporânea de atuação extraprocessual do Judiciário na promoção de direitos fundamentais correlatos ao processo socioeducativo.

A controvérsia prática costuma envolver como articular iniciativas de natureza assistencial e cultural com a tutela jurisdicional e com a logística institucional das unidades socioeducativas: seleção de acervo, adaptação de materiais (inclusive em braile), segurança na circulação de livros dentro das unidades e proteção de dados dos doadores. Além disso, há tensão entre medidas pedagógicas e disciplinares dentro da execução das medidas socioeducativas, o que torna relevantes orientações normativas e de gestão conjunta entre órgãos.

O que foi decidido

O TJSP, por meio do GMF, não proferiu uma decisão jurisdicional, mas formalizou adesão operacional ao programa “Virando a Página”, atuando como ponto de coleta e promovendo a captação de exemplares durante o mês de julho. A adesão tem natureza administrativa e de cooperação interinstitucional: além de disponibilizar diversos fóruns e complexos administrativos como pontos de entrega, o GMF fortalece a cadeia logística de recebimento e triagem dos materiais. O efeito prático imediato é a ampliação dos pontos de acesso para doações e a possibilidade de distribuição mais célere de títulos às unidades da Fundação Casa.

Os fundamentos anunciados pelo supervisionamento do GMF enfatizam a leitura como ferramenta de desenvolvimento humano, inclusão social e construção de perspectivas futuras para adolescentes em cumprimento de medidas. A iniciativa privilegia diversidade de gêneros (quadrinhos, mangás, contos, poesia, biografias, literatura infantojuvenil) e acessibilidade (materiais em braile), com vistas a atender diferentes perfis e necessidades.

Base normativa e precedentes

  • Art. 215, CF/88 — proteção e promoção das manifestações culturais, dever do Estado de valorizar e viabilizar o acesso à cultura.
  • Art. 205, CF/88 — educação como direito de todos e dever do Estado, estendendo-se políticas que envolvam formação e acesso cultural.
  • Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) — regula medidas socioeducativas e prevê proteção integral e ações de reintegração social; subsidiariamente, orienta programas educacionais nas unidades de execução.
  • Lei 13.709/2018 (LGPD) — regras sobre tratamento de dados pessoais que podem incidir na coleta de informações de doadores e beneficiários; recomenda-se observância quanto ao tratamento e armazenamento de dados.
  • Jurisprudência consolidada do tribunal — orienta atuação dos órgãos de controle no acompanhamento de unidades socioeducativas e na implementação de medidas que visem garantir direitos fundamentais.

Impacto prático

  • Para a administração da Fundação Casa: incremento do acervo e possibilidade de implementar atividades de leitura, bibliotecas e oficinas literárias, com atenção à seleção de títulos compatíveis com objetivos pedagógicos.
  • Para advogados e defensores públicos: instrumento auxiliar nas estratégias socioeducativas, que pode ser indicado em relatórios técnicos e planos de atendimento individual, reforçando medidas de reinserção.
  • Para o Judiciário (GMF e órgãos de fiscalização): reforça o papel extrajudicial de promoção de direitos e demonstra interação entre fiscalização e políticas públicas culturais.
  • Para doadores e sociedade civil: oportunidade de participação direta em políticas de ressocialização; importante atenção às orientações sobre tipos de material aceitos e à acessibilidade.
  • Para gestores de unidades: necessidade de prever logística de recebimento, catalogação e segurança interna dos exemplares, além de formação de pessoal para atividades de mediação de leitura.

O que observar

  • Regulamentação operacional: convém que a coleta e distribuição sejam formalizadas por meio de termos de cooperação entre Fundação Casa, Pinacoteca, Secretarias estaduais e TJSP, com definição de responsabilidades pela triagem, transporte e uso dos materiais.
  • Acessibilidade e adequação: seleção criteriosa para evitar material inadequado ao público socioeducativo; priorizar formatos acessíveis (braile, audiolivros) quando possível.
  • Proteção de dados: eventuais cadastros de doadores ou registros de beneficiários precisam observar a LGPD — bases legais, finalidade e prazo de guarda devem estar documentados.
  • Segurança jurídica: iniciativas administrativas não substituem políticas públicas permanentes; é recomendável que o Judiciário atue em parceria técnica para que ações pontuais se convertam em programas duradouros e avaliáveis.
  • Monitoramento e avaliação: o GMF e órgãos parceiros devem estabelecer indicadores para mensurar impacto pedagógico e social das atividades de leitura, auxiliando em futuras decisões de política pública.

Em suma, a participação do TJSP no programa evidencia a concretização de uma abordagem integrada entre Justiça, cultura e serviços socioeducativos. Para operadores do direito e gestores, a ação impõe desafios administrativos e normativos — sobretudo quanto à formalização de cooperações, proteção de dados e garantia de acessibilidade —, mas representa um avanço prático na promoção do direito à cultura e na política de reinserção de adolescentes em cumprimento de medidas.

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