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TST reconhece assédio moral ascendente e responsabiliza empresa

TST analisou caso em que subordinado ofendeu chefe e a empresa foi condenada por não agir; decisão reforça dever de proteção do empregador.

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TST reconhece assédio moral ascendente e responsabiliza empresa
Foto: Jonathan Cooper / Unsplash

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) confirmou a responsabilização da empresa em caso de assédio moral ascendente, quando o abuso parte de subordinado contra superior hierárquico, e manteve a condenação ao pagamento de indenização por dano moral. A decisão tem efeito prático imediato de reforçar o dever do empregador de prevenir e reagir a condutas ofensivas no ambiente de trabalho, sob pena de responder civilmente pelos atos de seus empregados.

Contexto

O assédio moral no trabalho é tema recorrente na jurisprudência e na doutrina trabalhista, mas tende a ser abordado predominantemente na modalidade descendente — do chefe contra o subordinado. Menos debatido, o assédio moral ascendente ocorre quando um empregado ataca, humilha ou desqualifica superior hierárquico. Há ainda variações: assédio horizontal (entre colegas) e organizacional (decorrente de práticas institucionais). A controvérsia pratica envolve a extensão da responsabilidade da empresa quando o agressor é empregado subordinado: até que ponto o empregador deve intervir, e quando sua omissão configura dever de indenizar?

A importância do tema decorre de dois vetores. Primeiro, porque define quem suporta o risco financeiro do dano moral e orienta políticas internas de prevenção e resposta. Segundo, porque toca em princípios constitucionais — dignidade da pessoa humana e proteção ao trabalho — e em regras de responsabilidade civil que atravessam o direito do trabalho.

O que foi decidido

No caso examinado pelo TST, um líder de equipe sofreu ofensas reiteradas e ataques com caráter xenófobo perpetrados por subordinado. Ficou demonstrado que a empresa tinha conhecimento dos episódios e, mesmo assim, não adotou medidas efetivas para pôr fim às condutas. A turma do Tribunal entendeu que a omissão empresarial importou em responsabilização por danos morais, mantendo a condenação paga ao trabalhador superior que foi vítima.

Os fundamentos centrais da decisão combinam: (i) reconhecimento do dano moral pela reiteração de ofensas e pela gravidade das agressões (inclusive caracterizadas como xenofobia); (ii) identificação da culpa da empresa por omissão diante do conhecimento dos fatos; e (iii) aplicação da responsabilidade civil do empregador pelos atos praticados no âmbito da relação de trabalho quando falha em prevenir ou remediar condutas lesivas.

A tese reflete a ideia de que a responsabilidade patronal não se limita a atos próprios, mas alcança a omissão configuradora de negligência na proteção do ambiente de trabalho.

Base normativa e precedentes

  • Art. 1º, CF/88 — princípio da dignidade da pessoa humana, fundamento para a tutela contra práticas degradantes no trabalho.
  • Art. 7º, CF/88 — proteção dos direitos dos trabalhadores, fundamento constitucional da esfera trabalhista.
  • Consolidação das Leis do Trabalho — Decreto-Lei 5.452/1943 (CLT) — arcabouço geral da relação empregatícia e deveres recíprocos; embora a CLT não regule expressamente o assédio, incide no dever de proteção do empregador.
  • Lei nº 10.406/2002 (Código Civil) — art. 186 (ato ilícito) e art. 927 (obrigação de reparar), utilizados para fundamentar a indenização por dano moral no âmbito trabalhista.
  • Jurisprudência consolidada do tribunal — entendimento de que o empregador responde civilmente quando, sabendo de condutas lesivas praticadas por subordinados, não adota providências aptas a impedir a repetição e o agravamento do dano.

Impacto prático

  • Para empregadores: reforça a necessidade de políticas internas de prevenção e resposta a episódios de assédio, incluindo canais de denúncia, investigação célere e medidas disciplinares. A omissão pode resultar em condenação por dano moral mesmo quando o agressor é subordinado.
  • Para empregados e lideranças: amplia o reconhecimento de que chefes ou gestores também são titulares de proteção contra condutas ofensivas, independentemente da posição hierárquica do agente agressor.
  • Para advogados trabalhistas: serve de subsídio para pleitos indenizatórios em situações de assédio ascendente e para defesas empresariais que demonstrem diligência e medidas adotadas. Em ações em curso, decisões como essa fortalecem pedidos de indenização quando houver prova da omissão patronal.
  • Para departamentos de compliance e recursos humanos: pressiona por protocolos claros, formação em liderança e mecanismos de monitoramento do ambiente de trabalho, com registro documental das medidas tomadas.

O que observar

  • Prova e proporcionalidade: a condenação depende de prova da prática reiterada ou gravidade da conduta e da efetiva ciência da empresa. Medidas administrativas registradas podem afastar a responsabilidade.
  • Modulação e recursos: a decisão em turma pode ser objeto de recurso no próprio tribunal ou nos tribunais superiores, dependendo da natureza do entendimento e da repercussão. Questões sobre critérios de quantificação do dano moral e eventual modulação de efeitos podem surgir em recursos subsequentes.
  • Risco de judicialização ampliada: o reconhecimento da responsabilidade por omissão tende a incentivar demandas, exigindo atenção dos empregadores para evitar condenações evitáveis.
  • Intersecção com outras áreas do direito: quando houver fundamento discriminatório (como xenofobia), pode incidir também responsabilização sob a égide do direito civil e, eventualmente, medidas administrativas e penais, conforme o caso.

Em síntese, a decisão do tribunal reforça a lógica de que o dever de proteção ao ambiente de trabalho opera em todas as direções hierárquicas. A omissão patronal diante de assédio praticado por subordinado não está imune ao dever de reparar, o que impõe uma exigência prática imediata: políticas ativas e documentadas de prevenção, investigação e remediação de conflitos internos.

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