Escritório amplia atuação pro bono e incide em causas de interesse público no STF
Relatório 2025 mostra atuação do escritório em ações no STF, assessoria gratuita ao terceiro setor e investimentos em formação, com impacto na transparência e acesso à Justiça.

O escritório divulgou o "Relatório de Responsabilidade Social 2025", que documenta sua atuação em causas de interesse público, com destaque para representação em ações de repercussão nacional no Supremo Tribunal Federal e assessoria jurídica gratuita a organizações da sociedade civil. O efeito prático imediato é a tradução do trabalho jurídico pro bono em incidência sobre temas de transparência institucional e controle de recursos públicos, consolidando a participação da banca no debate público e em litígios estratégicos.
Contexto
A prática de atuação pro bono e de parceria com organizações da sociedade civil ganhou relevância no Brasil nas últimas décadas como forma de ampliar o acesso à Justiça, fortalecer mecanismos de transparência e qualificar o controle social sobre políticas públicas. Há intersecção clara entre litígios de natureza constitucional — sobretudo aqueles que tratam de princípios como publicidade, moralidade e eficiência — e a atuação de operadores jurídicos que atuam em nome de entidades sem fins lucrativos. A controvérsia que emerge é sobre o papel do advogado enquanto agente de interesse público: até que ponto a litigância estratégica pode influenciar a agenda constitucional e a formulação de políticas públicas, sem atropelar limites processuais ou éticos.
No plano institucional, o Supremo Tribunal Federal tornou-se foro decisório de debates nacionais sensíveis (transparência sobre remunerações, controle de emendas parlamentares etc.), o que favorece que escritórios com vocação de interesse público assumam a função de amicus curiae ou de representação direta de organizações para influir nas interpretações constitucionais que definirão parâmetros de transparência e fiscalização.
O que foi decidido
Não se trata de uma decisão jurisdicional, mas de uma opção estratégica: o relatório evidencia que o escritório representou organizações civis em ações perante o STF que discutem temas como transparência de remunerações de membros do Ministério Público e controle sobre emendas parlamentares. A tese institucional firmada pela banca é a de que o exercício da advocacia pública e pro bono contribui para o fortalecimento das instituições democráticas e da governança pública.
O relatório também aponta para medidas correlatas à atuação jurídica: provisão de assessoria gratuita contínua a organizações do terceiro setor, investimento em formação acadêmica de profissionais por meio de uma política de incentivo e o oferecimento de clínica de estágio com projetos de impacto social — entre eles, assessoria para a constituição de uma cooperativa de mulheres quilombolas no Pará. Esses esforços convergem para ampliar o acesso à Justiça material e o diálogo entre advocacia, academia e sociedade civil.
Base normativa e precedentes
- Art. 5º, CF/88 — consagra direitos fundamentais, entre eles a igualdade perante a lei e o acesso à Justiça, substrato normativo para litígios de interesse coletivo.
- Art. 133, CF/88 — reconhece o advogado como indispensável à administração da Justiça, fundamento constitucional para a atuação profissional em causas públicas.
- Art. 37, CF/88 — princípios da administração pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência), frequentemente articulados em ações que visam transparência sobre remunerações e emendas.
- Art. 5º, XXXV, CF/88 — princípio do acesso à jurisdição, que legitima a promoção de ações por organizações civis para tutelar direitos difusos e coletivos.
- Art. 82 e ss., CPC (Lei 13.105/2015) — disciplina a habilitação e representação processual, cabendo a entidades e a advogados o papel de partes, assistentes ou amici curiae nos litígios estratégicos.
- Jurisprudência consolidada do STF — o Supremo tem sido repositório de decisões que definem parâmetros de transparência e prestação de contas, moldando o campo em que atuam ONGs e escritórios pro bono.
Impacto prático
- Para advogados e escritórios: confirma a relevância estratégica de manter programa estruturado de pro bono, com políticas de incentivo acadêmico e clínica de estágio, que potencializam capilaridade e legitimidade técnica para atuação em causas constitucionais.
- Para organizações da sociedade civil: demonstra a vantagem de firmar parcerias com bancas especializadas para ingresso em ações de controle da transparência institucional, o que pode ampliar a capacidade de impacto nas decisões de mérito e na formação de precedentes.
- Para o sistema judicial: a intensificação de amicus curiae e de representação por entidades pode reforçar a qualidade técnica dos debates no STF, influenciando quadros interpretativos sobre publicidade e controle de recursos públicos.
- Para políticas públicas e administração: pressiona por maior transparência e por aprimoramento de práticas de governança, uma vez que litígios estratégicos tendem a produzir efeitos normativos e comunicacionais.
O que observar
- Limites éticos e de conflito: escritórios que atuam em causas de interesse público devem calibrar políticas de compliance e gestão de conflitos para preservar independência técnica e evitar questionamentos sobre interesses concorrentes.
- Sustentabilidade institucional: iniciativas como a Política de Incentivo Acadêmico e clínicas demandam financiamento e governança permanente; a continuidade depende de recursos e de processos internos robustos.
- Modulação de efeitos e repercussão geral: decisões no STF sobre transparência e controle orçamentário podem ser moduladas; escritórios e organizações devem acompanhar possíveis efeitos retroativos ou restritivos das decisões.
- Risco de judicialização excessiva: enquanto a litigância estratégica é instrumento legítimo de aprimoramento institucional, há o risco de sobrecarregar o Judiciário com demandas que requerem solução política ou administrativa.
- Próximos passos processuais: em demandas no STF, a atuação como amicus curiae e a construção de teses de repercussão geral exigem coordenação entre pesquisa acadêmica, produção de memoriais e articulação com atores institucionais.
Em síntese, o relatório mapeia uma atuação jurídica orientada para litigância de interesse público e para políticas de fortalecimento institucional. O movimento reforça a tendência de integração entre prática forense, formação acadêmica e assistência ao terceiro setor, com implicações concretas para o desenvolvimento de normas e para o próprio funcionamento das garantias constitucionais relacionadas à transparência e ao acesso à justiça.
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