Curso gratuito sobre IA no Direito: capacitação prática e cuidados éticos
Programa gratuito da Trybe, Jusbrasil e OAB oferece formação prática em IA para advogados; reforça necessidade de proteção de dados e qualidade técnica na produção jurídica assistida por IA.

O que foi decidido + por quem + efeito prático imediato: A Trybe, em parceria com o Jusbrasil, o ITS Rio e 16 seccionais da OAB, lançou a edição 2026 do "Curso Introdutório de IA aplicada ao Direito", oferta online e gratuita com duração aproximada de quatro horas, voltada à capacitação prática de profissionais do Direito no uso seguro e eficaz de ferramentas de inteligência artificial. A iniciativa responde ao aumento expressivo do uso de IA entre operadores jurídicos e enfatiza proteção de dados e aprimoramento da produção técnica.
Contexto
Os dados citados pela iniciativa indicam que o uso de inteligência artificial deixou de ser marginal na atuação jurídica: 77% dos profissionais do Direito já utilizam IA ao menos semanalmente na edição 2026 do relatório referido, frente a 55% em 2025. Essa aceleração exige não apenas familiaridade com ferramentas, mas também incorporação de práticas que assegurem qualidade técnica, confidencialidade e conformidade normativa.
A controvérsia em torno do emprego de IA no ambiente jurídico articula três dimensões principais: (i) eficiência e produtividade — automação de tarefas repetitivas e suporte à redação de peças, contratos e pesquisas; (ii) risco de erros, vieses e incertezas quanto à autoria e responsabilidade técnica; e (iii) proteção de dados pessoais e sigilo profissional. Juristas e órgãos reguladores têm buscado equilibrar esses vetores, ao mesmo tempo em que a Ordem dos Advogados do Brasil e instituições acadêmicas promovem capacitação e orientações éticas.
O que foi decidido
A iniciativa anunciada não é uma decisão jurisdicional, mas uma resposta institucional ao fenômeno: o curso tem escopo prático — elaboração de prompts eficazes, análise de documentos extensos, revisão com suporte de IA e medidas para proteger o sigilo do cliente. A proposta parte do diagnóstico de que a IA já compõe a rotina forense e extrajudicial e foca em transformar o uso experimental em prática profissional responsável.
Os elementos centrais do programa enfatizam:
- Ensino pragmático de técnicas de prompt engineering aplicadas à produção jurídica;
- Métodos de verificação e validação de conteúdos gerados por IA para reduzir risco de imprecisões e vieses;
- Procedimentos de anonimização e minimização de dados para conformidade com normas de proteção de dados;
- Orientações para integrar IA ao fluxo de trabalho sem esvaziar a responsabilidade técnica do profissional.
Esses eixos revelam preocupação com a necessária articulação entre eficiência técnica e observância de deveres éticos e legais do advogado.
Base normativa e precedentes
- Art. 5º, CF/88 — proteção à privacidade e inviolabilidade da intimidade e correspondência, matriz dos cuidados com sigilo;
- Lei 13.709/2018 (LGPD) — regras sobre tratamento de dados pessoais, princípio da necessidade, bases legais para tratamento e obrigação de segurança;
- Código de Ética e Disciplina da OAB — deveres de sigilo, diligência e responsabilidade técnica do advogado (normas internas da OAB orientam a conduta profissional);
- CPC (Lei 13.105/2015) — deveres de verificação e responsabilidade no ato processual, relevante quando peças e provas são produzidas com auxílio de IA;
- Jurisprudência consolidada do tribunal — entendimento crescente sobre responsabilidade profissional e necessidade de transparência quanto a fontes e quebras de sigilo, ainda em evolução diante das novas tecnologias.
Impacto prático
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Para advogados e escritórios: capacitação rápida e gratuita reduz barreiras de entrada para adoção de ferramentas de IA, mas não exime do dever de verificação técnica. Espera-se maior produtividade em diligências repetitivas e revisão documental; contudo, a responsabilidade ética permanece integralmente com o profissional.
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Para clientes e consumidores de serviços jurídicos: potencial redução de custos e prazos, com ganhos de precisão quando houver uso competente da IA; porém, aumenta a necessidade de transparência sobre o uso de ferramentas automatizadas e garantias sobre confidencialidade.
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Para a conformidade com a LGPD: o curso, por prever módulos sobre proteção de dados, pode auxiliar profissionais a aplicar princípios como minimização, anonimização e segurança da informação, elementos essenciais para evitar infrações e sanções previstas na Lei 13.709/2018.
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Para formação e ensino jurídico: oferta amplia a difusão de competências digitais entre bacharéis, estagiários e magistrados, contribuindo para uma cultura profissional que incorpora tecnologia sem negligenciar controles éticos e legais.
O que observar
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Qualificação versus responsabilidade: a capacitação torna o uso mais seguro, mas não transfere ao algoritmo a responsabilidade profissional; advogados devem documentar processos de validação e manter controle sobre conteúdo final.
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Sigilo e bases de dados de modelos: atenção quanto ao input de informações sensíveis em plataformas de terceiros; recomenda-se uso de técnicas de anonimização e avaliação da base legal para qualquer compartilhamento, conforme LGPD.
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Necessidade de padrões e orientações complementares: a formação prática é útil, mas faltam normas uniformes sobre certificação de ferramentas e critérios mínimos de auditabilidade; pode haver papel para reguladores e pela OAB em emitir diretrizes mais específicas.
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Evolução regulatória e jurisprudencial: decisões futuras podem modular responsabilidades, especialmente em casos de erro técnico que cause prejuízo ao cliente. Profissionais devem acompanhar demandas disciplinares e contenciosas que tratem de IA.
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Acompanhamento contínuo: cursos introdutórios são ponto de partida; a complexidade técnica e ética exigirá formação contínua, protocolos internos nos escritórios e eventuais consultorias especializadas em segurança da informação.
Em suma, a iniciativa representa resposta pragmática a uma transformação em curso: capacitar operadores jurídicos para usar IA com maior segurança técnica e conformidade normativa, sem relegar ao instrumento a responsabilidade profissional que cabe ao advogado.
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